segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

EGITO: O POVO TOMA O DESTINO NAS SUAS MÃOS


O ditador egípcio decrépito sanguinário decretou toque de recolher, mas ninguém o respeita. O povo sai às ruas em massa e manifesta-se. As sedes do partido do governo foram incendiadas no Cairo, em Alexandria e Suez. Junto ao palácio presidencial há uma dúzia de carros da polícia incendiados. Comissariados de polícia, idem. As tropas do governo saem às ruas com tanques, mas não atacam o povo. Em certos casos há até confraternização e os tanques são aplaudidos. As embaixadas dos EUA e Grã-Bretanha estão cercadas pelo exército, para evitar serem agredidas pela multidão em fúria. Na base da CIA(Agencia de Espionagem Americana) no Cairo, o ambiente é de euforia por uma possível revolução popular. Os partidários da ditadura tentam controlar os danos e impor a saída que consideram aceitável. Têm Al Baradei na manga. Querem mudar alguma coisa para que continue tudo na mesma. Mas as mensagens do Twitter dizem: Não queremos só derrubar Mubarak, queremos mudar o regime. É o que o império americano teme.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

SISTEMA PERVERSO


A visão lúcida e reveladora de quem enxerga a realidade como ela é. Frei Betto é desses pensadores que felizmente não nos deixam sermos tragados para a raia alienada do senso comum.


Frei Betto *


A catástrofe na região serrana do Rio de Janeiro é noticiada com todo alarde, comove corações e mentes, mobiliza governo e solidariedade. No entanto, cala uma pergunta: de quem é a culpa? Quem o responsável pela eliminação de tantas vidas?
Do jeito que o noticiário mostra os efeitos, sem abordar as causas, a impressão que se tem é de que a culpa é do acaso. Ou se quiser, de São Pedro. A cidade de São Paulo transbordou e o prefeito em nenhum momento fez autocrítica de sua administração. Apenas culpou o excesso de água caída do céu. O mesmo cinismo se repetiu em vários municípios brasileiros que ficaram sob as águas.
Ora, nada é por acaso. Em 2008, o furacão Ike atravessou Cuba de Sul a Norte, derrubou 400 mil casas, deu um prejuízo de US$ 4 bilhões. Morreram 7 pessoas. Por que o número de mortos não foi maior? Porque em Cuba funciona o sistema de prevenção de catástrofes naturais. No Brasil, o governo promete instalar um sistema de alerta... em 2015!
O ecocídio da região serrana fluminense tem culpados. O principal deles é o poder público, que jamais promoveu reforma agrária no Brasil. Nossas vastas extensões de terra estão tomadas pelo latifúndio ou pela especulação fundiária. Assim, o desenvolvimento brasileiro se deu pelo modelo saci, de uma perna só, a urbana.
Na zona rural faltam estradas, energia (o Luz para Todos chegou com Lula!), escolas de qualidade e, sobretudo, empregos. Para escapar da miséria e do atraso, o brasileiro migra do campo para a cidade. Assim, hoje mais de 80% de nossa população entope as cidades.
Nos países desenvolvidos, como a França e a Itália, morar fora das metrópoles é desfrutar de melhor qualidade de vida. Aqui, basta deixar o perímetro urbano para se deparar com ruas sem asfalto, casebres em ruínas, pessoas que estampam no rosto a pobreza a que estão condenadas.
Nossos municípios não têm plano diretor, planejamento urbano, controle sobre a especulação imobiliária. Matas ciliares são invadidas, rios e lagoas contaminados, morros desmatados, áreas de preservação ambiental ocupadas. E ainda há quem insista em flexibilizar o Código Florestal!
Darwin ensinou que, na natureza, sobrevivem os mais aptos. E o sistema capitalista criou estruturas para promover a seleção social, de modo que os miseráveis encontrem a morte o quanto antes.
Nas guerras são os pobres e os filhos dos pobres os destacados para as frentes de combate. Ingressar nos EUA e obter documentos legais para ali viver é uma epopeia que exige truques e riscos. Mas qualquer jovem latino-americano disposto a alistar-se em suas Forças Armadas encontrará as portas escancaradas.
Os pobres não sofrem morte súbita (aliás, na Bélgica se fabrica uma cerveja com este nome, Mort Subite). A seleção social não se dá com a rapidez com que as câmaras de gás de Hitler matavam judeus, comunistas, ciganos e homossexuais. É mais atroz, mais lenta, como uma tortura que se prolonga dia a dia, através da falta de dinheiro, de emprego, de escola, de atendimento médico etc.
Expulsos do campo pelo gado que invade até a Amazônia, pelos canaviais colhidos por trabalho semiescravo, pelo cultivo da soja ou pelas imensas extensões de terras ociosas à espera de maior valorização, famílias brasileiras tomam o rumo da cidade na esperança de uma vida melhor.
Não há quem as receba, quem procure orientá-las, quem tome ciência das suas condições de saúde, aptidão profissional e escolaridade das crianças. Recebida por um parente ou amigo, a família se instala como pode: ocupa o morro, ergue um barraco na periferia, amplia a favela.
E tudo é muito difícil para ela: alistar-se no Bolsa Família, conseguir escola para os filhos, merecer atendimento de saúde. Premida pela sobrevivência, busca a economia informal, uma ocupação qualquer e, por vezes, a contravenção, a criminalidade, o tráfico de drogas.
É esse darwinismo social, que tanto favorece a acumulação de muita riqueza em poucas mãos (65% da riqueza do Brasil estão em mãos de apenas 20% da população), que faz dos pobres vítimas do descaso do governo, da falta de planejamento e do rigor da lei sobre aqueles que, ansiosos por multiplicar seu capital, ignoram os marcos regulatórios e anabolizam a especulação imobiliária. E ainda querem flexibilizar o Código Florestal, repito!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O FIM DO IMPÉRIO YANK


O GEAB (Global Europe Anticipation Bulletin) previu que o ano de 2011 como o ano da derrocada do dólar como a moeda hegemônica do planeta. Segundo o GEAB, 2011 será para o capilaismo atual como 1989 (queda do Muro de Berlim) foi para o bloco soviético; leiam a analise do GEAB e tirem suas conclusões:


por GEAB
Este número 51 do GEAB assinala o quinto aniversário da publicação do Global Europe Anticipation Bulletin. Ora, em Janeiro de 2006, por ocasião do GEAB Nº 1 , a equipa de LEAP/E2020 indicava nessa altura que se iniciava um período de quatro a sete anos que seria caracterizado pela "Queda do Muro do Dólar", fenômeno análogo ao da queda do Muro de Berlim que, nos anos subseqüentes, levou ao desmantelamento do bloco comunista e a seguir da URSS. Hoje, neste GEAB Nº 51 que apresenta as nossas trinta e duas previsões para o ano de 2011, calculamos que o próximo ano será um ano charneira neste processo que se estende pois de 2010 a 2013. De qualquer modo, será um ano impiedoso, porque vai marcar a entrada na fase terminal do mundo anterior à crise.

A partir de Setembro de 2008, altura em que a evidência da natureza global e sistêmica da crise se impôs a toda a gente, os Estados Unidos e, por detrás deles, os países ocidentais contentaram-se com medidas paliativas que apenas serviram para mascarar os efeitos de sapa da crise nos alicerces do sistema internacional contemporâneo. 2011 vai, de acordo com a nossa equipa, assinalar o momento crucial em que, por um lado, essas medidas paliativas vão ver desaparecer o seu efeito anestesiante enquanto que, pelo contrário, vão surgir em primeiro plano com toda a brutalidade as conseqüências da deslocação sistêmica destes últimos anos.

Em resumo, 2011 vai ser marcado por uma série de choques violentos que vão fazer explodir as falsas proteções instituídas desde 2008 e que vão deitar abaixo, um após outro, os "pilares" sobre os quais assenta desde há decênios o "Muro do Dólar". Só os países, as coletividades, as organizações e os indivíduos que, de há três anos a esta parte, trataram realmente de tirar lições da crise em curso para se afastar o mais depressa possível dos modelos, valores e comportamentos anteriores à crise, atravessarão incólumes este ano; os outros vão enfileirar no cortejo de dificuldades monetárias, financeiras, econômicas, sociais e políticas que o ano de 2011 nos reserva.

Portanto, como consideramos que 2011 será globalmente o ano mais caótico desde 2006, data do início dos nossos trabalhos sobre a crise, a nossa equipa concentrou-se neste GEAB Nº 51 sobre as 32 previsões para o ano de 2011, que incluem igualmente uma série de recomendações para fazer face aos choques futuros. É pois uma carta de previsão dos choques financeiros, monetários, políticos, econômicos e sociais dos próximos doze meses que este número do GEAB oferece.

A nossa equipa considera que 2011 será o ano mais difícil desde 2006, data do início do nosso trabalho de previsão da crise sistêmica, porque esta se encontra na encruzilhada dos três caminhos do caos mundial. Na ausência de um tratamento de fundo para as causas da crise, desde 2008 que o mundo apenas tem recuado para saltar melhor.

Um sistema internacional exangue

O primeiro caminho que a crise pode tomar para gerar um caos mundial, é muito simplesmente um choque violento e imprevisível. O estado de decrepitude do sistema internacional está neste momento tão avançado que a sua coesão está à mercê de qualquer catástrofe de monta. Basta ver a incapacidade da comunidade internacional para ajudar eficazmente o Haiti ao fim de um ano, dos Estados Unidos para reconstruir Nova Orleães desde há seis anos, da ONU para resolver os problemas de Darfour e da Costa do Marfim desde há uma década, dos Estados Unidos para fazer avançar a paz no Próximo Oriente, da NATO para vencer os talibãs no Afeganistão, do Conselho de Segurança para dominar as questões coreana e iraniana, do ocidente para estabilizar o Líbano, do G20 par pôr fim à crise mundial, quer financeira, alimentar, econômica, social, monetária… para constatarmos que no conjunto tanto da paleta das catástrofes climáticas e humanitárias, como na das crises econômicas e sociais, o sistema internacional se encontra atualmente impotente.

Com efeito, pelo menos a partir dos meados dos anos 2000, o conjunto dos grandes atores mundiais, em cuja primeira fila se encontram, claro, os Estados Unidos e o seu cortejo de países ocidentais, só age através da comunicação e da gesticulação. Na realidade, nada mais funciona: a esfera da crise gira e todos sustêm a respiração para que ela não caia na sua casa. Mas, progressivamente, a multiplicação dos riscos e dos temas de crise transformaram a roleta do cassino numa roleta russa. Para o LEAP/E2020, o mundo inteiro começa a jogar a roleta russa, ou melhor, a sua versão de 2011, "a roleta americana", com cinco balas no tambor.

A subida em espiral dos preços das matérias-primas (alimentares, energéticas …) vai fazer-nos lembrar 2008. Foi com efeito no semestre anterior ao colapso do Lehman Brothers e da Wall Street que se situou o episódio precedente de pronunciadas subidas dos preços das matérias-primas. E as atuais causas são da mesma natureza que as dessa altura: uma fuga para fora dos ativos financeiros e monetários a favor das colocações "concretas". Nessa altura os grandes operadores fugiram dos créditos hipotecários e de tudo o que deles dependia assim como do dólar americano; hoje fogem do conjunto dos valores financeiros e dos títulos do Tesouro e de outras dívidas públicas. É pois de esperar, entre a primavera de 2011 e o Outono de 2011, uma explosão da bolha quádrupla dos títulos do Tesouro, das dívidas públicas, dos balancetes bancários e do imobiliário (americano, chinês, britânico, espanhol,… e do comercial; tudo isto a desenrolar-se com o pano de fundo duma guerra monetária exacerbada.

A inflação induzida pelos Quantitative Easing americano, britânico e japonês e as medidas de estímulo dos mesmos, dos europeus e dos chineses, vai ser um dos fatores desestabilizadores de 2011. Voltaremos a isto com maior pormenor neste GEAB Nº 51. Mas o que já é evidente no que se refere ao que se passa na Tunísia, é que este contexto mundial, nomeadamente a subida dos preços dos gêneros alimentícios e da energia, desemboca daqui para a frente em choques sociais e políticos radicais. A outra realidade que o caso tunisino revela, é a impotência dos "padrinhos" franceses, italianos ou americanos para impedir o colapso de um "regime amigo".

Impotência dos principais atores geopolíticos mundiais

E esta impotência dos principais atores geopolíticos mundiais é o outro caminho que a crise pode utilizar para gerar um caos mundial em 2011. Com efeito, podemos classificar as principais potências do G20 em dois grupos cujo único ponto em comum é que não conseguem influenciar os acontecimentos de modo decisivo.

De um lado temos o Ocidente moribundo com os Estados Unidos, por um lado, onde o ano de 2011 vai demonstrar que a liderança não passa duma ficção (ver neste GEAB Nº 51) e que tentam cristalizar todo o sistema internacional na sua configuração do início dos anos 2000; e depois temos a Eurolândia, "soberana" em gestação que está atualmente concentrada sobretudo na adaptação ao seu novo ambiente e ao seu novo estatuto de entidade geopolítica emergente e que portanto não tem nem a energia nem a visão necessárias para ter peso nos acontecimentos mundiais.

E do outro lado, encontramos os BRIC (em especial a China e a Rússia) que se mostram incapazes neste momento de assumir o controlo de todo ou parte do sistema internacional e cuja única acção se limita pois a minar discretamente o que resta dos alicerces da ordem anterior à crise.

No final das contas, é pois a impotência que se generaliza ao nível da comunidade internacional, reforçando não só o risco de choques importantes, mas igualmente a importância das conseqüências desses choques. O mundo de 2008 foi apanhado de surpresa pelo choque violento da crise, mas paradoxalmente o sistema internacional estava mais bem equipado para reagir porque estava organizado em volta de um líder incontestado. Em 2011, isso já não acontece: não só já não há um líder incontestado, mas o sistema está exangue como se viu anteriormente. E a situação ainda se agravou mais pelo fato de as sociedades de um grande número de países do planeta estarem à beira da rotura sócio-econômica.

Sociedades à beira da rotura sócio-econômica

É em especial o caso nos Estados Unidos e na Europa onde três anos de crise começam a ter um forte peso na balança sócio-econômica, e portanto política. Os lares americanos atualmente insolventes em dezenas de milhões oscilam entre a pobreza sofrida e a raiva anti-sistema. Os cidadãos europeus, encurralados entre o desemprego e o desmantelamento do Estado-providência, começam a recusar-se a pagar as facturas das crises financeiras e orçamentais e tratam de procurar os culpados (a banca, o euro, os partidos políticos dos governos…).

Mas, também no seio das potências emergentes, a transição violenta que a crise constitui conduz as sociedades para situações de rotura: na China, a necessidade de controlar as bolhas financeiras em desenvolvimento choca com o desejo de enriquecimento de sectores inteiros da sociedade e com a necessidade de emprego para dezenas de milhões de trabalhadores precários; na Rússia, a fraqueza do tecido social tem dificuldade em aceitar o enriquecimento das elites, tal como na Argélia agitada por motins. Na Turquia, no Brasil, na Índia, por toda a parte, a transição rápida que esses países experimentam desencadeia motins, protestos, atentados. Por razões perfeitamente antinômicas, para umas o desenvolvimento, para outras o empobrecimento, um pouco por toda a parte no planeta, as nossas diferentes sociedades entram em 2011 num contexto de fortes tensões, de roturas sócio-econômicas que as transformam em barris de pólvora políticos.

É a sua posição na encruzilhada destes três caminhos que torna pois 2011 um ano impiedoso. E impiedoso será para os Estados (e para as coletividades locais) que optaram por não aprender as difíceis lições dos três anos de crise que precederam e/ou que se contentaram com mudanças cosméticas que não modificaram em nada os seus desequilíbrios fundamentais. Sê-lo-á também para as empresas (e para os Estados que acreditaram que a melhoria de 2010 era sinal dum regresso "à normalidade" da economia mundial. E finalmente sê-lo-á para os investidores que não compreenderam que os valores de ontem (títulos, moedas…) não podiam ser os de amanhã (pelo menos por mais anos). A História geralmente é uma "boa rapariga". Freqüentemente dá um tiro de aviso antes de varrer o passado. Desta vez deu o tiro de aviso em 2008. Prevemos que em 2011 dará o golpe final. Só os atores que tentaram, mesmo com dificuldades, mesmo parcialmente, adaptar-se às novas condições geradas pela crise se poderão agüentar; quanto aos outros, o caos espera-os no fim do caminho.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

CHÁVEZ NÃO É DITADOR. AFIRMA JORNALISTA AMERICANA


Em artigo a 9 de janeiro em http://chavezcode.com/, em inglês, a jornalista americana Eva Golinger afirma que o presidente HUGO CHÁVEZ é um socialista que põem a participação popular em seu governo acima de tudo. Vejam o que a jornalista afirmou:
"Com tanta desinformação circulando em diferentes pontos da mídia em todo o mundo a respeito da Venezuela e do presidente Chávez, é hora de restabelecer a verdade. A Venezuela não é uma ditadura e o presidente Chávez não é ditador. Na última noite o chefe de Estado venezuelano participou de uma reunião com um grupo de ativistas da habitação, que não só criticaram - ao vivo na televisão - as políticas do governo e a inação sobre aluguéis e habitação, mas também propuseram leis, regulamentos e projetos que foram recebidas de braços abertos pelo próprio Chávez. E na semana passada o presidente venezuelano vetou uma lei sobre a educação superior que tinha sido aprovada no ano passado pela legislatura de maioria pró-Chávez, pedindo debate "mais aberto e amplo" sobre o assunto, para incluir críticos e os que tinham protestado contra a lei. Esse não é o comportamento de um ditador".

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE UM HERÓI DO POVO LATINO-AMERICANO


A verdadeira história do grande lider das FARC, contada por Miguel Urbano Rodrigues, que a mídia gorda esconde das massas trabalhadoras para que não haja incentivo as rebeliões proletárias.

A morte do comandante Jorge Briceño, das FARC, foi apresentada pelo sistema mediático controlado pelo imperialismo como "grande vitória da democracia sobre o terrorismo" e festejada pelo presidente dos EUA e pela maioria dos governantes da União Européia.
A mentira e a calúnia podem manipular a informação e enganar centenas de milhões de pessoas, mas não fazem História.


O comandante Jorge Briceño, nome de guerra de Victor Suarez, conhecido na Colômbia como Mono Jojoy – "homem branco", no dialeto das tribos amazônicas da Região – foi um estrategista militar de prestígio continental e um revolucionário exemplar que dedicou a vida ao combate pela libertação do seu povo, oprimido pela oligarquia mais corrupta e sanguinária da América Latina.


A sua morte culminou uma operação de custo milionário em que participaram a Força Aérea, a Polícia, os serviços de inteligência, o Exército e a Marinha da Colômbia com a colaboração de Israel, da CIA e do Pentágono.


Segundo El País, de Espanha, e alguns jornais Colombianos, o crime começou a ser preparado cientificamente há quatro anos quando, numa bota de Mono Jojoy teria sido colocado um chip que permitia via satélite acompanhar por GPS a sua movimentação nas densas florestas dos Departamento do Meta e do Caquetá, praticamente controladas pelo Bloco Oriental das Forças Armadas Revolucionárias–FARC, por ele comandado.


O cerco dos acampamentos do comandante Briceño, nas Serranias de La Macarena, principiou no dia 21 de Setembro. Segundo fontes oficiais, o bombardeamento das instalações, que abrangiam numerosas e profundas cavernas naturais nas escarpas da montanha, foi devastador. 20 Aviões e 37 helicópteros lançaram, no dia 22, sobre uma área reduzida, 100 bombas num total de 50 toneladas.


No ataque foram utilizadas armas e tecnologia que os EUA somente fornecem a Israel e à Colômbia.


A intervenção posterior de forças terrestres da VII Brigada do Exército encontrou, segundo o governo de Juan Manuel Santos, forte resistência das FARC. Nos combates que ainda prosseguem na Região, o Exército reconheceu ter sofrido numerosas baixas, entre feridos e mortos.


A TRAIÇÃO


Tal como ocorreu com a operação encenada cujo desfecho foi a mal chamada "libertação" de Ingrid Bettencourt, a traição de alguns guerrilheiros está na origem do assassínio do Jorge Briceño. Sem ela, a localização do acampamento e do lugar exato onde se encontrava o comandante na hora do ataque, não teriam sido viáveis. Aliás, somente o segundo bombardeamento, realizado com bombas "inteligentes" de grande precisão, atingiu o objetivo: matar Jorge Briceño.

Mono Jojoy sofria de uma diabetes avançada. Por suportar mal as botas da guerrilha, usava umas ortopédicas, especiais. Segundo informações divulgadas em Bogotá, o responsável pela Intendência das FARC incumbido de comprar esse calçado teria entrado em contacto com os serviços de inteligência que introduziram o minúsculo chip numa dessas botas.


Cabe esclarecer que o Governo de Uribe – o anterior presidente – tinha criado um prêmio equivalente a dois milhões de euros para quem contribuísse para a "captura ou morte" do chefe guerrilheiro.


A fixação da data para a operação – intitulada pelo governo "Boas Vindas às FARC" e "Sodoma" pelas Forças Armadas – foi antecipada porque nas últimas semanas a organização guerrilheira, desmentindo a propaganda oficial que a apresentava como moribunda, retomara a iniciativa em múltiplas frentes, numa demonstração da sua vitalidade.


Em Agosto e Setembro, em ataques de surpresa e embocadas, nos Departamentos do Caquetá e do Meta, foram abatidos em combate 90 elementos do Exercito e da Polícia.


Simultaneamente, o Secretariado do Estado Maior Central das FARC reafirmava a sua disponibilidade para negociar com o novo governo uma solução para o conflito que levasse à paz desejada pelo povo colombiano e dirigia-se à UNASUL, solicitando uma reunião em que pudesse expor e defender o seu projeto de uma verdadeira paz social para o Pais.


O presidente títere José Manuel Santos, com o aval de Washington, tomou então a decisão de montar o ataque à Serra de La Macarena cujo desfecho foi o assassínio do comandante Jorge Briceño e de um punhado dos seus camaradas.


Segundo El Tiempo, quatro traidores serão recompensados com dois milhões.


OS PARABENS DE OBAMA


Jorge Briceño é qualificado pelos media de Bogotá e dos EUA de assassino, terrorista feroz e narcotraficante. A linguagem costumeira para designar os dirigentes das FARC.


Essas calúnias e insultos estão desacreditados na América Latina. As forças progressistas do Continente e milhões de trabalhadores identificavam em Briceño um revolucionário de fibra, sabem que ele foi desde a juventude um comunista coerente. Ao oferecer um prémio gigantesco pela sua cabeça, o governo de Uribe demonstrou o respeito que lhe inspirava a capacidade de Mono Jojoy como estrategista. Nas cordilheiras e nas selvas colombianas ele, combatendo, adquirira um prestígio quase lendário, emergindo como um símbolo da invencibilidade das FARC. Muitas vezes lhe anunciaram a morte para depois a desmentirem.


O general Padilla, quando comandante-chefe do Exército, dirigiu-lhe um apelo para que se rendesse, oferecendo-lhe garantias se o atendesse. Briceño, em resposta irônica, disse-lhe que uma organização revolucionária que lutava há quase quatro décadas somente deporia as armas quando o povo da Colômbia fosse libertado.

Em 2001, quando as FARC, na cidade de La Macarena, não longe da Serra do mesmo nome – libertaram unilateralmente cerca de 300 soldados e polícias capturados em combate, tive a oportunidade de conhecer e saudar Mono Jojoy. A troca de palavras foi breve porque ele era assediado por embaixadores ocidentais da Comissão Facilitadora da Paz então existente que admiravam o seu talento de estrategista. Recordo que nessa jornada o interrogaram sobre a proeza militar que fora a tomada da cidade de Mitú na fronteira da Venezuela numa ofensiva fulminante de Briceño que humilhou os generais colombianos. As FARC combatiam então em 60 Frentes. Vi um vídeo do acontecimento. O discurso que na época dirigiu à população, concentrada na praça principal da cidade, foi uma peça de oratória revolucionária divulgada inclusive por grandes jornais da América Latina.


Compreende-se o ódio da oligarquia colombiana ao estrategista das FARC.


Para o matar tiveram de mobilizar milhares de homens e dezenas de aeronaves e de gastar milhões para comprar a consciência de traidores. Agora exibem-lhe o cadáver como troféu.


O presidente dos EUA, numa atitude abjeta, saudou o seu colega colombiano pelo crime. Abraçou-o na Assembléia-geral da ONU, anunciou um aprofundamento da aliança com o regime fascista de Bogotá, e declarou, eufórico: "sublinho a liderança do presidente Santos e felicito-o porque ontem foi um grande dia para a Colômbia, em que as suas forças armadas realizaram um extraordinário trabalho (…) O presidente da Colômbia pode contar com todo o nosso apoio".


Essa a noção que o imperialismo tem da ética.


Mas Obama e Santos podem insultar o comandante Briceño, chamar-lhe bandido, assassino e terrorista que as suas calúnias não têm o poder de apagar a grandeza do guerrilheiro caído em combate.


Os nomes de Uribe, de Santos e dos generais que o assassinaram serão em breve esquecidos. Não o de Mono Jojoy, revolucionário e soldado da têmpera de Bolívar, Sucre, Artigas. Com o tempo subirão da terra pelas Américas estátuas do heróico comandante das FARC. Será recordado com admiração e orgulho pelas futuras gerações.

AINDA BEM


As tropas da Missão das Nações Unidas de Estabilização do Haiti (Minustah), lideradas pelos militares brasileiros, não farão a segurança do local onde o ex-ditador haitiano Jean Claude Duvalier, o Baby Doc, está hospedado. A informação é do porta-voz da sessão militar da Missão, Tenente-Coronel Maurício Cruz. Segundo ele, a Polícia Nacional Haitiana (PNH) é quem está encarregada de fazer a segurança de Baby Doc.
“Não é nossa função fazer a segurança dele (Jean Claude). Até agora, não recebemos nenhum pedido da PNH para atuarmos nesse sentido. Se recebermos, vamos avaliar. A princípio, o Baby Doc é um problema dos haitianos e não temos porque interferir”, disse o porta-voz da sessão militar da Minustah, Maurício Cruz.
Seria uma incoerência o Brasil, que tem uma presidente da República que foi perseguida e torturada pela ditadura que durou 21 anos em nossa pátria, fazer segurança para um canalha responsável pala morte de centenas de milhares de pessoas.
Ponto para o Itamarati e para a presidente Dilma!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

AS DESGRAÇAS DO HAITI


Pobre e infeliz povo do Haiti, o que pode acontecer de pior àquela gente tão sofrida. Primeiro a longa e feroz cleptocracia de Duvalier, com os seus sinistros ton-ton macoute. Depois um brevíssimo governo democrático, cujo presidente foi deposto por uma intervenção militar dos EUA & da França. Segue-se uma longa ocupação militar, com a cumplicidade ativa de países latino-americanos que se prestaram a enviar tropas para colaborar com o imperialismo americano. Mais recentemente um terremoto gigante que deixou o país em ruínas e metade da população sem moradia. E este foi seguido de imediato por uma invasão em grande escala de tropas dos fuzileiros navais americanos.
O estado de calamidade do país, com as infra-estruturas de saneamento básico arruinadas, levou à epidemia de cólera que começou no ano passado. E agora, para culminar a total desgraça do povo haitiano, Baby Doc , o filhote malvado do antigo ditador ladrão Duvalier, retorna de Paris . Ele volta protegido pelas tropas do imperialismo e dos governos latino-americanos que o servem, como Brasil, Chile e Uruguai. Vem tomar posse dos despojos. Tal como os abutres, também quer um naco do moribundo povo, que nem força para reagir possui mais.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

As chuvas e o proletariado


A visão lúcida de quem enxerga a realidade com um olhar marxista. A matéria abaixo escrita por ADOPHO FERREIRA aponta os verdadeiros responsáveis pelas tragédias anunciadas que ocorrem anualmente no Rio de Janeiro.

“No início da noite de segunda-feira, 5 de abril, várias cidades do Estado do Rio de Janeiro sofreram com as intensas chuvas. Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e outras cidades pararam por conta dos estragos produzidos por tanta água. Os mortos confirmados já são quase duzentos, até o momento. Outras centenas ou milhares – este número é ainda mais impreciso – estão desabrigados.

Neste momento, é necessário apontar os responsáveis por tamanha tragédia. A imensa maioria dos que mais sofreram com o temporal é a parte dos mais pobres trabalhadores que moram nas favelas, mais especificamente nos locais que apresentam riscos de desabamento. O que sabemos é: moram nestes locais porque são a parte mais proletarizada da população, porque compõem o setor da classe trabalhadora mais afetado pelo desemprego e pela super-exploração do trabalho, porque seus salários não permitem mais que estabelecer a moradia em local tão arriscado! Jamais porque são “loucos, irresponsáveis e suicidas”, como afirma o governador do Estado do RJ, Sergio Cabral/PMDB, de forma absolutamente desumana e descompromissada com as condições de vida da classe trabalhadora.

O prefeito Eduardo Paes/PMDB preferiu culpar a natureza e sua tremenda força, eximindo-se de toda a responsabilidade – assim como é responsabilidade de Cabral e Lula – com a realização de políticas públicas que atendam aos interesses de moradia mais imediatos desses trabalhadores, como contenção de encostas, urbanização de favelas, sistema de drenagem etc. Fica nítido o descaso dos governantes ao revelar a contenção de investimentos públicos, que acarreta a precarização de áreas como a Defesa Civil. As autoridades solicitam à população para não telefonar para a Defesa Civil em caso de situação que não tenha "tanta emergência".

O presidente Lula/PT seguiu a linha já traçada por seus grandes aliados no Rio de Janeiro. Concordando com Cabral, disse que se analisarmos “todas as enchentes brasileiras, elas atingem sempre as pessoas pobres, que moram em locais inadequados". Confirma, portanto, a tese de culpabilização das vítimas. Diz que “o mais importante nessa história é que precisamos conscientizar a população para que deixe as áreas de risco”, ou seja, que abandonem suas casas e tudo aquilo que conseguiram conquistar com seu duro trabalho, sem qualquer garantia de que estará tudo lá quando retornarem.

Lula diz ainda que as chuvas não preocupam seus interesses nos eventos de 2014 e 2016, pois “não chove todo dia, quando acontece uma desgraça, acontece; normalmente, os meses de junho e julho são mais tranqüilos”. Portanto, contanto que em junho e julho de 2014 e 2016, a cidade esteja preparada para receber a Copa e a Olimpíada, não importa o sofrimento da população nos outros dias. Até mesmo o falso argumento do “legado dos grandes eventos esportivos” utilizado pelos governantes e pelo grande capital para justificar a importância desses eventos na vida do proletariado – que não usufruirá de seu verniz – cai por terra de vez. Tudo estará funcionando em junho e julho de 2014/2016, com todos os milhares de milhões que serão transferidos pelo Estado (governos federal, estadual e municipal) à burguesia nacional e internacional, nessa relação íntima entre governos e capital que inclui, por exemplo, o financiamento das campanhas eleitorais de PT e PSDB, os partidos brasileiros que mantêm a força da ordem burguesa no país atualmente.

Lula, Cabral e Paes são os verdadeiros culpados pela amplitude dos desastres, assim como os governos anteriores que serviram aos interesses burgueses e corruptos. Nada fizeram para melhorar estruturalmente as condições de vida e moradia do proletariado que vive em áreas que ameaçam sua própria sobrevivência e ainda culpam os mortos pela tragédia ocorrida.

É muito importante perceber os projetos sociais que estão em luta: de um lado, o projeto dos capitalistas e dos governos burgueses, que desejam expulsar os favelados de seu local de moradia, motivados por diversos interesses, como a expansão imobiliária nessas regiões (a que se relaciona a imagem da favela criminalizada e de fato alvo da violência policial, do tráfico e de milícias); de outro lado, o projeto do proletariado, que de imediato exige a melhoria de suas condições de vida e moradia, mas tem como objetivo final aquilo que possibilitará o fim das condições sociais que generalizam todas estas tragédias: o fim das condições sociais que causam sua miséria.

Fundamentalmente, são estas condições sociais (que fazem com que o proletariado recorra à moradia nos locais de risco) que precisam ser combatidas. Este é o horizonte necessário que não pode sair de vista de todos aqueles que sentem profundamente as perdas humanas e sociais e lamentam diante das terríveis reações dos governantes burgueses. O objetivo final de nossa luta, para além da necessária melhoria imediata das condições de vida dos trabalhadores que habitam as regiões mais precárias, precisa ser o fim da sociedade de classes!”

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

FASCISMO EM ALTA NA ITÁLIA.


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertou em cheio quando concedeu refúgio político ao italiano Cesare Battisti; é notório que toda a esquerda italiana vem sofrendo perseguição por parte do governo neofascista de Berlusconi. Para interlocutores próximos a Lula, a quem cabe a decisão de acordo com o STF (Supremo Tribunal Federal) é o próprio presidente da Republica.
A Advocacia Geral da União entregou à Presidência da República o parecer com o embasamento jurídico para a recusa do pedido italiano de extradição.
Como a Revista Consciência.Net informou por dezenas de vezes, os crimes atribuídos a Battisti não estão provados por evidências tangíveis, não há testemunhas que não sejam falsas ou compradas, não houve advogados e, pior, os autores dos quatro assassinatos estão perfeitamente identificados.
Em um dos exemplos, o professor universitário e ativista da Anistia Internacional no Brasil, Carlos Lungarzo, demonstrou que em 2005 a historiadora, arqueóloga e romancista francesa Fred Vargas, auxiliada por uma perita do Tribunal de Apelações de Paris (Evelyne Marganne) e por dois advogados franceses (Turcon & Camus), descobriu um fato fundamental sobre o caso: as procurações utilizadas pelos advogados italianos de Battisti, no processo de 1982 até 1990, no qual foi condenado a prisão perpétua, foram falsificadas.
A maior parte da mídia gorda brasileira, por sua vez, tem afirmado que a decisão de Lula é “política” – sugerindo que haveria uma decisão “técnica”, que seria a extradição. Com isso, estes jornalistas apóiam direta ou indiretamente o Estado ditador italiano à época, que perseguiu e assassinou ativistas. Pior: omitem informações que mudariam decisivamente a opinião pública, repetindo por mil vezes a mesma mentira sobre os assassinatos.
Já que é para falar dos “terroristas de esquerda”, que tal falarmos dos atos terroristas do Estado italiano à época? Há muitos casos, processos etc. Falaremos sobre isso? Lá, como aqui, todos os generais e agentes da Polizia di Stato ficaram impunes. Todos.
Uma vergonha que a mídia leva para seu anuário.