terça-feira, 26 de abril de 2011

O PENSADOR


“Desde que existe a história, duas classes de homens dirigem a humanidade: os opressores e os libertadores. Aqueles dominam pelo mal, estes pelo bem. Mas, de todos os libertadores, o pensador, o intelectual, é o mais eficaz. O espírito fere de morte o mal. Os pensadores emancipam o gênero humano. Sofrem, mas triunfam. E é pelo sacrifício que eles, não raros, alcançam a redenção dos outros. Podem sucumbir no exílio, no cárcere ou no patíbulo. O seu ideal lhes sobrevive; e, mesmo depois de sua morte, continua a tarefa libertadora.”
TEÓFILO OTONI


Karl Marx, depois de sofrer com constantes exílios e perseguições que lhe custaram sua ruina econômica, morreria em Londres 20 anos após nosso grande político Teófilo Otoni ter escrito esta mensagem no jornal Diário do Rio de Janeiro em 07 de dezembro de 1860. E Che Guevara tombaria 107 anos depois nas selvas da Bolívia, assassinado pela CIA (serviço de espionagem americana).

Intelectuais como Otoni não servem de exemplo para nossos políticos, já que não existem opressores intelectuais.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

EXISTENCIALISMO NA POESIA DE NERUDA


Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar.

Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
(Pablo Neruda)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Confira a carta Manifesto para o abaixo-assinado contra Jair Bolsonaro o nazifascista mais festejado pela direita; publicada no carosamigos.terra.com


Nesta presente carta manifesto viemos prestar nosso apoio a todos que foram ofendididos pelo Deputado Jair Bolsonaro e solicitar urgência na apuração de suas falas que fizeram constantemente apologia à discriminação contra mulheres, a favor da homofobia e agora clara apologia ao racismo.
Em um de seus discursos o Deputado faz apologia à violência contra crianças com traços que indiquem homossexualidade:
“O filho começa a ficar assim, meio gayzinho leva um coro, ele muda o comportamento dele. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem” (sic).
Organização Mundial de Saúde, na Classificação Internacional de Doenças n.º 10/1993 declara peremptoriamente que a orientação sexual por si não deve ser vista como um distúrbio, donde não se pode patologizar a orientação sexual homoafetiva, tendo nosso Conselho Federal de Psicologia referendado tal posição através da Resolução n.º 01/1999, na qual declarou que a homossexualidade não é doença, desvio, perversão nem nada do gênero, proibindo psicólogos de patologizarem a homossexualidade porque ela simplesmente não é uma doença.
No dia 28 de março o Deputado ao ser indagado pela cantora Preta Gil, o que ele faria se seu filho se apaixonasse por uma negra ele respondeu, em um programa de televisão de grande audiência, o deputado respondeu:
“ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja, eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o seu”!.
Bolsonaro também faz clara apologia ao racismo quando diz, neste mesmo vídeo, que não contrataria cotistas, não entraria em um avião pilotado por cotista, todos sabem que a maioria destes cotistas são negros.
A resposta gerou vários protestos por parte da imprensa e nas redes sociais, Bolsonaro desrespeitou em suas ultimas declarações mulheres, negros e gays e fez clara apologia à violência contra crianças e adolescentes que se percebem como gays.
Castigos imoderados contra crianças e adolescentes são proibidos expressamente pelo art. 1638, inc. I do Código Civil:
Art. 1.638. Perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou a mãe que:
I - castigar imoderadamente o filho;
Sobre o racismo o Deputado fere várias leis e a Constituição Federal.
A Lei 7.716, de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, inclui, no seu Art. 20, “que praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” é crime passível de reclusão de um a três anos e multa.
Essa Lei decorre de tratados internacionais de que o Brasil é signatário. A Constituição Cidadã é explícita ao repudiar o racismo como prática social, considerando-o como crime imprescritível e inafiançável. O Art. 1º da Carta Magna, que define como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil “III – a dignidade da pessoa humana.”
O Art. 3º, que enumera os objetivos fundamentais da República, contempla “IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Já o Art. 4º , que estabelece os princípios pelos quais se regem as relações internacionais do país, VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo (…).
O Art. 5º da Constituição Cidadã, por sua vez, define que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (…). O mesmo Artº 5º, em seu Inciso XLII, prevê que “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, com base no Recurso Especial 157805/DF, prevê que “Incitar, consoante a melhor doutrina é instigar, provocar ou estimular e o elemento subjetivo consubstancia-se em ter o agente vontade consciente dirigida a estimular a discriminação ou preconceito racial. Para a configuração do delito, sob esse prisma basta que o agente saiba que pode vir a causá-lo ou assumir o risco de produzi-lo (dolo direto ou eventual).”
Por sua vez, o Código Penal, define o crime de injúria no Art. 140, estabelecendo que se trata de injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro. O § 3º da mesma lei,estabelece que “se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, a pena é de reclusão de um a três anos e multa.
Diante de tudo que foi exposto, o que indica que o Deputado Jair Bolsonaro tem total desrespeito, por minorias étnicas, LGBTs, por nossas instituições e ainda parece acreditar estar acima das leis, da Constituição Federal e do povo, solicitamos providências urgentes e a cassação de seu mandato como Deputado Federal, pois entendemos que alguém que desrespeita as leis e faz apologia ao crime de racismo não pode ser um representante legal do povo brasileiro.
Solicitamos a todos que foram ofendidos pelo Deputado que mandem protestos a Comissão de Direitos Humanos da Câmara pedindo apuração e punição com urgência através do e-mail: cdh@camara.gov.br

quarta-feira, 30 de março de 2011

OS DIREITOS HUMANOS NOS EUA


O soldado Bradley Manning, acusado de transmitir documentos que revelavam crimes cometido por militares americano à WikiLeaks, foi declarado "inimigo" de estado dos EUA.

As altas patentes militares dos EUA consideram crime revelar os crimes dos oficiais das suas tropas e, Bradley Manning será submetido a julgamento em tribunal militar com toda “imparcialidade” da justiça militar dos EUA.

Manning está encarcerado desde Agosto de 2010 numa cela de 3 x 2 metros, durante 23 horas por dia sem luz natural e nu; antes mesmo de uma sentença condenatória.

O fascismo americano tem desses requintes de crueldades, e ainda faz propaganda dizendo que em Cuba o governo não respeita os direitos humanos.

AS RAÍZES DO NEPOTISMO E CCs


Segundo SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA, em seu clássico “Raízes do Brasil”, a “cultura da personalidade” é uma herança do Brasil colônia herdada de nossos colonizadores lusitanos; e é essa tradição que possibilita o culto ao personalismo, mesmo que os personagens cultuados sejam peculatários e corruptos.
SÉRGIO defende a tese de que a exacerbada exaltação do prestigio pessoal que o brasileiro cultua é as raízes das desigualdades e da falta de zelo pela coisa publica: “em terra onde todos são barões não é possível acordo coletivo durável, a não ser por uma força exterior respeitável e temida”.
É por esta razão que na administração pública vale muito mais os interesses no recinto doméstico e entre amigos do entre os dos não aliados, em detrimento da coisa pública, do talento e da formação acadêmica.
Tai, uma bela razão para ler o clássico editado em 1936 e que explica, de certa forma, a apatia e a resignação do povo angrense diante deste nefasto governo do BONECO DE VENTRÍLOQUO.

quarta-feira, 23 de março de 2011

GENOCÍDIO: POLÍTICA AMERICANA


O revolucionário JOSÉ MARTÍ certa vez afirmou que: “Ver um crime com calma é cometê-lo.”

Diante dos constantes crimes cometidos contra a humanidade pelo imperialismo americano, assassinando e matando milhões de inocentes em todos os continentes do planeta, soa como covardia nosso silêncio um tanto alienado.

Em 1996, depois de cinco anos de sanções e de persistentes bombardeio contra o Iraque, o repórter da CBS Lesley Stahl fez a seguinte pergunta à embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Madeline Albright:

— Ouvimos dizer que meio milhão (hoje mais de 01 milhão) de crianças morreu (em consequência da política americana contra o Iraque). Valeu à pena pagar esse preço?

Resposta de Madeline Albright:

— Nós pensamos que valeu a pena.

E ainda existem pessoas que defendem o mais reverenciado dos assassinos: O Capitalismo.

terça-feira, 22 de março de 2011

A NOVA GUERRA COLONIAL


O imperialismo acaba de lançar uma nova guerra colonial.

Um impressionante aparato de forças militares iniciou a agressão contra a Líbia que certamente se alastrará por todas as partes da África que tenha petróleo.

A aprovação da Resolução 1973 pelo Conselho de Segurança da ONU foi uma ruptura com o direito internacional e todos os tratados em que todos os países de ONU foram signatários.

Ela foi possível graças à capitulação da Rússia, da China, do Brasil e dos demais países que ali se abstiveram (a máscara "progressista" do governo Dilma caiu rapidamente).

A ONU nunca se preocupou com os palestinos massacrados em Gaza pela entidade nazi-sionista, nunca se incomodou com as ditaduras terroristas que mataram milhares de cidadãos na América Latina, nunca fez o mínimo gesto contra as ditaduras que escravizam emirados árabes, nada fez nem faz pelas mulheres oprimidas da Arábia Saudita, nunca disse uma palavra contra a selvageria da tropa da NATO que massacra indefesos camponeses afegãos, nunca se manifestou contra os drones que assassinam velhos, mulheres e crianças no Paquistão.

Não foi preciso a ONU para que os povos tunisino e egípcio se desembaraçassem de ditadores que haviam sido financiados e armados pelo ocidente.

Uma vez vencido Moammar Kadafi, tal como Saddam Hussein, a Líbia irá descobrir os encantos da democracia ocidental à moda do Iraque – ao custo de mais de um milhão de mortos e milhões de deslocados.

A Líbia ficará totalmente livre para a pilhagem das suas riquezas naturais.

No mundo pós o máximo de produção petrolífera, o petróleo será libertado para as corporações ocidentais – ao custo de um novo genocídio aos moldes das grandes guerras do século XX.

quinta-feira, 10 de março de 2011

PREFEITURA DE ANGRA ESTÁ SENDO INVESTIGADA PELO MP FEDERAL E PF


Dados otimistas de setenta por cento dos contratos firmados entre prefeitos do Estado do Rio e os ministérios da Saúde e da Educação, entre 2005 e 2008, apresentam irregularidades na prestação de contas ou na contrapartida municipal. Os dados são da Controladoria Geral de União (CGU) e fundamentaram até o presente momento os 95 procedimentos de investigação criminal que a Procuradoria Regional da República da 2ª Região instaurou nos últimos 03 mêses contra 19 prefeituras fluminenses. Com o objetivo de regularizar a prestação de contas sobre recursos federais e combater a corrupção em prefeituras, a Procuradoria da República no Rio criou uma força-tarefa, que também agilizará as ações penais que tramitam hoje no estado.


A iniciativa faz parte de um plano nacional da Procuradoria Geral da República para moralizar a falta de controle de verbas federais nas mais 5.500 prefeituras de todo o país.



De cada 50 contratos firmados entre as prefeituras e os ministérios, cerca de 35 têm irregularidades e fraudes.


De acordo com a CGU, a maioria dos contratos firmados entre 28 municípios investigados e os dois ministérios, têm irregularidades. Em 3/8 desses contratos, não foi paga a contrapartida do município e em alguns não foram comprovados os pagamentos, somando um total de R$15 milhões de contrapartidas municipais não efetivadas.


Além disso, o MPF levantou um acervo criminal de dezenas de ações penais em curso no Tribunal Regional Federal, além de outras dezenas inquéritos e denúncias em andamento. O MPF no Rio também fechou acordo com a Superintendência de Polícia Federal do Rio, que criou um grupo de trabalho com vários delegados federais para acelerar os inquéritos:


O objetivo da Procuradoria Geral da República e dos MPFs no estado é impedir que prefeitos que tenham cometido desvios de verbas, fraudes em licitação, corrupção e malversação de dinheiro público federal, tenham direito de concorrer às próximas eleições, efetivando assim a Lei da Ficha Limpa. Segundo o procurador da República Rogério Nascimento, a estratégia é parte de um plano nacional do Ministério Público Federal.


“Hoje há uma estratégia nacional no MPF na área criminal, que é trabalhar o direito penal como instrumento para a efetivação dos direitos humanos. A gente elegeu isso como a bandeira da instituição. E onde o crime compromete a efetivação dos direitos humanos? Na corrupção. Então, nossa prioridade será, nos próximos dois anos, o combate à corrupção de forma mais ampla”, explica ele.



Ainda segundo o procurador, o maior gargalo existente hoje no país está exatamente nos processos contra prefeitos das mais de 5.500 prefeituras do país:



“A gente tem como prioridade na área criminal o combate a corrupção em prefeituras. Por quê? Porque quando prefeitos desviam verbas federais da saúde, da educação, da infraestrutura, estão comprometendo direitos sociais. Não haverá direitos sociais se recursos públicos não forem utilizados com responsabilidade. Se tem corrupção, os direitos humanos não se realizam”.

Parece que Ministério Público Federal vai ter muito trabalho em Angra, onde as verbas federais de saúde e educação são fraudadas na mais dura e vergonhosa cara dura.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

LÍBIA PARA O POVO, NÃO PARA O IMPÉRIO



De todas as revoltas que neste momento ocorrem no Norte de África e no Oriente Médio, a mais difícil de se analisar é a da Líbia.

Qual é o caráter e o objetivo da oposição ao regime Kadafi, que começa a controlar a rica cidade de Bengazi, no Leste do país?

Será apenas coincidência que a rebelião tenha começado em Bengazi, a qual é a base dos mais ricos campos de petróleo da Líbia bem como próxima da maior parte dos seus oleodutos e gasodutos, refinarias e o seu porto de gás natural liquefeito (GNL)? Haverá um plano de dividir o país?

Qual é a chance de intervenção militar imperialista dos EUA e seus aliado, pondo em perigo todo o povo da região?

A Líbia não é como o Egito. Seu líder, Moamar Kadafi, não tem sido um fantoche imperialista como Hosni Mubarak. Durante muitos anos, Kadafi esteve aliado a países e movimentos que combatiam o imperialismo americano. Ao tomar o poder em 1969 através de um golpe militar, ele nacionalizou o petróleo da Líbia e utilizou grande parte do dinheiro para desenvolver a economia líbia. As condições de vida do povo melhoraram radicalmente.

Por isso, os países imperialistas estavam determinados destruir a Líbia. Os EUA em 1986 lançaram ataques aéreos a Trípoli e Bengazi que mataram 60 pessoas, incluindo a filha ainda criança de Kadaf, o que raramente é mencionado pela mídia gorda. Foram impostas sanções devastadoras tanto pelos EUA como pela ONU a fim de destruir a economia líbia.

Depois de os EUA invadirem o Iraque em 2003 e arrasaram grande parte de Bagda com uma campanha militar de terra arrasada que o Pentágono sinicamente chamou "pavor e choque", Kadafi tentou evitar a ameaça de outra agressão à Líbia fazendo grandes concessões políticas e econômicas ao imperialismo. Ele abriu a economia a bancos e corporações estrangeiras; concordou com exigências do FMI quanto ao "ajustamento estrutural", privatizando muitas empresas estatais e cortando subsídios do estado a necessidades como alimentos e combustível.

O povo líbio está sofrendo com preços elevados e desemprego que estão na base das rebeliões em outros lados e que decorre da crise econômica capitalista mundial.

Não há dúvida de que a luta que varre o mundo árabe pela liberdade política e a justiça econômica também tocou um ponto sensível na Líbia. Não há dúvida de que o descontentamento com o regime Kadafi está motivando uma parte significativa da população.

Contudo, é importante para os progressistas saber que muitas das pessoas que estão promovendo no Ocidente como líderes da oposição, são agentes recrutados pela CIA. A BBC mostrou em 22 de Fevereiro filmes de populares derrubando a bandeira verde da república e substituindo-a pela bandeira do antigo rei Idris – que foi um fantoche dos EUA e do imperialismo britânico.

A mídia ocidental utiliza grande parte das suas noticias sobre supostos fatos fornecidos pelo grupo exilado Frente Nacional para a Salvação da Líbia (National Front for the Salvation of Libya), a qual foi treinada e financiada pela CIA. Pesquise no Google o nome da frente mais CIA e encontrará centenas de referências.

O Wall Street Journal de 23 de Fevereiro escreveu em editorial que "Os EUA e a Europa deveriam ajudar os líbios a derrubarem o regime Kadafi". Não há qualquer conversar nas salas das administrações ou nos corredores de Washington sobre a intervenção para ajudar o povo do Kuwait ou da Arábia Saudita ou do Bahrain a derrubarem seus governantes ditatoriais. Mesmo com todos os falsos elogios às lutas de massas que agora sacodem a região, isso seria impensável. Em relação ao Egito e à Tunísia, os EUA estão movendo todas as alavancas que podem para tirar as massas das ruas.

Tão pouco houve qualquer conversa de intervenção dos EUA para ajudar o povo palestino de Gaza quando milhares morreram em guetos com os judeus em Varsóvia na Segunda Grande Guerra, bombardeados e invadidos por Israel. Exatamente o oposto. Os EUA intervieram para impedir a condenação do estado colonizador sionista de Israel.

O interesse do imperialismo na Líbia não é difícil de descobrir. Em 22 de Fevereiro a Bloomberg. com escreveu: se bem que a Líbia seja o terceiro maior produtor de petróleo da África, é o país do continente que tem as maiores reservas provadas — 44,3 mil milhões de barris. É um país com uma população relativamente pequena, mas com potencial para produzir enormes lucros para as companhias de petróleo gigantes. É assim que os super ricos a encaram e o que está por trás da sua propagada preocupação com os direitos democráticos do povo da Líbia.

Obterem concessões de Kadafi não é suficiente para os barões imperialistas do petróleo. Eles querem um governo sob a sua dominação total, tudo do bom e do melhor. Eles nunca esqueceram Kadafi por derrubar a monarquia e nacionalizar o petróleo. Fidel Castro, em Cuba, na sua coluna "Reflexões" registra o apetite do imperialismo por petróleo e adverte que os EUA estão lançando as bases para a intervenção militar na Líbia.

Nos EUA, algumas forças tentam mobilizar uma campanha de rua promovendo uma mal fadada intervenção americana. Devemos nos opor a tudo isto e recordar a qualquer pessoa bem intencionada os milhões de mortos e deslocados pela intervenção dos EUA no Iraque.

As pessoas progressistas, anti-imperialista e socialistas têm simpatia com o que encaram como um movimento popular na Líbia. Podemos ajudar tal movimento principalmente pelo apoio às suas exigências justas, mas rejeitando uma intervenção imperialista, seja qual for a forma que assuma. É o povo da Líbia que deve decidir o seu futuro.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

FASCISTAS, REACIONÁRIOS E MENTIRAS



Condenado num processo cheio de nulidades, e até falsificações de procuração, que ocasionou à sua revelia, o escritor de esquerda italiano Cesare Battisti se tornou alvo do ódio da direita mundial e passou a vida sendo perseguido pelo Estado italiano e, nos últimos anos, pelo judiciário brasileiro. Conheça os detalhes do caso Battisti na bela narrativa de Débora Prado.

Amplamente divulgado na grande mídia de diversos países, o debate acerca da extradição de Cesare Battisti se tornou tema de discussão no Brasil e na comunidade internacional. O Estado e a justiça italiana, o judiciário brasileiro, a extrema direita e os reacionários de plantão se empenham na campanha pela entrega dele ao sistema penitenciário italiano para que permaneça encarcerado até o fim de sua vida. No Brasil, a propaganda contra o escritor e ex-militante de extrema esquerda também é intensa e, apesar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter decidido negar sua extradição no último dia de mandato, Battisti continua preso, ilegalmente, e vai passar por novo julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Condenado durante processo que correu à sua revelia por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, o que pouca gente sabe é que Battisti já havia passado por um julgamento na Itália. Neste primeiro julgamento, sentenciado em 1981, foi condenado a 13 anos e alguns meses de prisão por suas atividades militantes, ou ‘crime de subversão’ e por porte de armas. Não houve, no entanto, qualquer condenação ou sequer citação dos quatros assassinatos que lhe são atribuídos hoje em dia. Quase ninguém diz ainda que seu segundo julgamento na Itália está permeado de contradições, assim como o relatório do STF brasileiro, de autoria do Ministro Cezar Peluso.
Na verdade, a condenação a prisão perpétua - reivindicada agora pelo governo italiano para justificar a extradição – só aconteceu no segundo processo, de 1988, baseado numa prática chamada ‘delação premiada’. “Durante o primeiro processo, houve muitas torturas, são 13 casos declarados. Mas, mesmo sob a tortura, ninguém nunca pronunciou o nome de Battisti” explica Fred Vargas, historiadora, arqueóloga e escritora francesa, complementando: “Em troca das acusações no segundo processo, outros presos ganharam consideráveis reduções na pena. Nenhum dos arrependidos e dissociados teve prisão perpétua, o único membro do grupo com essa condenação foi o ausente: Battisti”.
Em suas pesquisas sobre o caso, ela constatou ainda que as procurações supostamente assinadas por Battisti para os advogados que o representaram no segundo processo são falsas. “Ele foi representado falsamente durante os onze anos do processo. Isso já seria suficiente para anular sua condenação” diz. Com tanta sujeira embaixo do tapete, fica evidente que os motivos para a condenação de Battisti são muito mais políticos do que de fato judiciais.
Dalmo de Abreu Dallari, jurista e professor emérito da USP (Universidade de São Paulo), explica que se fossem considerados apenas os aspectos legais, Battisti já deveria estar em liberdade. “A prisão de uma pessoa cuja extradição o foi pedida tem caráter preventivo, visando garantir a execução da decisão do Chefe do Executivo, caso este decida favoravelmente ao pedido. A partir do momento em que o Presidente decidiu não conceder a extradição, já não havia motivos para manter Cesare Battisti preso, não havendo qualquer fundamento legal para essa tremenda restrição de seus direitos fundamentais, avalia o jurista, concluindo: “Assim, não há dúvida de que a motivação não foi jurídica, mas influenciada por outras determinantes”.
Para Carlos Alberto Lungarzo, professor titular da Unicamp aposentado e militante da Anistia Internacional (AI), é totalmente impossível que Battisti tenha cometido algum assassinato e, além de injustiçado, sua extradição pode representar uma sentença de morte. “Se ele voltar à Itália e ficar vivo durante um tempo seria um milagre. O sentimento de rancor contra ele já existia antes, mas a agitação do caso na França e no Brasil está deixando em evidência a enorme corrupção da justiça italiana e a falta de seriedade e dos políticos” afirma.
O professor conta que a perseguição tomou tamanha proporção que uma região da Itália está proibindo os livros de centenas de escritores que assinaram um manifesto pela não extradição de Battisti. “É necessário entender um ponto sensível da cultura italiana, pelo menos nos últimos dois séculos: o sentimento de vingança muito generalizado. O Tribunal precisava dar uma satisfação aos parentes e ter um culpado universal. Claro que também há interesses políticos fortes: ameaçar a pouca esquerda que resta na Itália, mas que vai crescendo, fazer o papel de vítima no cenário europeu e por aí vai” diz.
Os estudiosos do caso apontam mais de uma justificativa para a perseguição de Battisti. Para Lungarzo, é simplista dizer que Berlusconi quer ocultar seu fracasso político e seus escândalos sexuais, uma vez que a campanha contra o escritor aumentou a medida que seus livros críticos ficaram mais conhecidos.
“Inicialmente, tudo indica que os magistrados italianos carregaram todos os assassinatos em Battisti, porque ele estava longe e não poderia se defender. Ele foi apenas um bode expiatório. Quando ele voltou à França, em 1990, a Itália tentou extraditá-lo - ‘por que não mais um?’. Mas, a extradição foi recusada e não se fez nenhum alvoroço. Então surgiu a verdadeira razão: Battisti se tornou um escritor de sucesso, com 15 livros publicados antes de vir ao Brasil. Suas histórias sobre perseguição, exílio e fascismo são romances lidos por pessoas que nunca leriam um livro de história. Há uma prova que eu acho muito clara disso: em quase todas as mensagens e comentários de ódio de leitores de jornais que se publicam na Itália sempre se fala que ele é um ‘afrancesado’, um rebelde, um homem que pinta uma imagem horrível da Itália, que não é católico, e coisas assim. Isso é muito duro para um país onde domina a Máfia, o fascismo e a Igreja” avalia Lungarzo.