quinta-feira, 14 de março de 2013

Francisco I vem disputar o consenso social

por Julio C. Gambina


A Igreja é parte do poder mundial, e não só do poder econômico. A Igreja disputa historicamente o consenso da sociedade. É uma realidade a considerar em tempos de crise capitalista, considerada também uma crise de civilização uma vez que esta civilização contemporânea está ordenada pelo regime do capital, ou seja, pela exploração do homem pelo homem, pela depredação da Natureza.



Quando o sistema mundial era desafiado pelo avanço dos povos e pelo socialismo (como forma que tentava ser alternativa da ordem mundial) abriu-se caminho a teologia da libertação, em aberta confrontação com o poder institucional de uma Igreja retrógrada. Assim, a Igreja dos pobres mostrava-se a partir do Sul do mundo, mais precisamente da Nossa América. A Igreja oficial não podia negar este rumo que abria passagem entre os padres de base e permitiu um grande debate mundial no seio da Igreja.



Os rumos da ofensiva popular batiam à porta da instituição. A resposta contemporânea da instituição Igreja foi acompanhando a ofensiva capitalista para recuperar o poder do regime do capital. Essa ofensiva materializou-se nos anos 80 contra o socialismo e os povos, abrindo o caminho ao poder reacionário dos Ratzinger e dos Bergoglio.



Há 40 anos o neoliberalismo foi ensaiado em nossos territórios com as ditaduras e o terrorismo de Estado, para a seguir estender-se por toda a orbe. A Igreja da Argentina, salvo honrosas e escassas exceções, acompanhou a ditadura genocida nesse parto neoliberal, ainda que agora fale contra a pobreza e a ética.



Um PAPA polaco chegou à Igreja para acompanhar o princípio do fim da experiência socialista, ainda que se discuta o próprio caráter daquela experiência. O capitalismo mundial necessitava do Leste da Europa. A Alemanha assim o entendeu. Os EUA também. Sem o Leste da Europa, já abandonado o projeto socialista original, o mundo deixou de ser bipolar e constituiu-se o rumo unipolar do capitalismo, transnacional e neoliberal.



O rumo unipolar está a ser desafiado pela mudança política na Nossa América e o ressurgir do socialismo, seja pela mão da revolução cubana ou pelos processos específicos que emergem em alguns países (Venezuela ou Bolívia), inclusive em variados movimentos políticos, sociais, intelectuais, culturais, na nossa região.



Com a morte de Chávez e milhões mobilizados para constituírem-se em sujeitos pelo cumprimento do legado revolucionário e socialista de Hugo Chávez, a Igreja lança à arena o símbolo de um chefe da Igreja nascido no Sul e compenetrado com o projeto do Norte.



O PAPA argentino, Francisco I, vem cumprir o projeto do poder mundial para disputar o consenso da sociedade, especialmente dos povos. Não só se trata de sustentar posições contrárias ao matrimônio igualitário, ou contra o aborto, amplamente difundidas pelo bispo Bergoglio, como de gestar uma consciência de disciplinamento para com a ordem contemporânea, reacionária, de dominação transnacional.



Nossa América é hoje laboratório de mudança política. A Igreja instituição quer intervir neste processo – não para pressionar essas mudanças e sim para travá-las. A disputa é pelas consciências. É uma batalha de idéias, pela mudança, ou pelo retrocesso. Preocupa-os o efeito Chávez na região. Preocupa-os a sucessão política na Venezuela e a capacidade de estender o rumo socialista. Necessitam disputar o consenso.



Mas, apesar das tentativas institucionais para acompanhar a ofensiva do capital contra o trabalho, os trabalhadores e os sectores populares, incluída a igreja dos pobres, o movimento religioso popular, persiste na busca pela organização da sociedade do viver bem (Bolívia), do bom viver (Equador), do socialismo cubano, ou da luta pela emancipação social de grande parte da sociedade dos de baixo na Nossa América.



O PAPA Francisco I vem com a sua. Nós os povos devemos continuar nossa busca e experimentação em favor de uma nova sociedade, por outro mundo possível, esse que se constrói na luta contra a exploração, pela emancipação social, contra o capitalismo e o imperialismo, pelo socialismo.

13/Março/2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

A morte suspeita do Presidente Hugo Chávez

por William Blum


Em todo o universo daqueles que possuem e dirigem a "United States, Inc." não havia ninguém que mais desejassem ver morto do que Hugo Chávez. Ele era pior do que Allende. Pior do que Fidel Castro. Pior do que qualquer líder mundial fora do campo americano porque falava claro e em termos vigorosos acerca do imperialismo estado-unidense e da sua crueldade. Reiteradamente. Constantemente. Dizendo coisas que se supõe que chefes de estado não digam. Nas Nações Unidas, num nível chocantemente pessoal, acerca de George W. Bush. Por toda a América Latina, pois ele organizou a região em blocos anti Império.



Os leitores habituais destes relatórios sabem que não costumo ter reações imediatas de teórico da conspiração. Mas quando alguém como Chávez morre numa idade tão jovem como 58 anos tenho de indagar acerca das circunstâncias. Cancro persistente, infecções respiratórias intratáveis, ataques de coração maciços, um após o outro... É bem sabido que durante a Guerra Fria a CIA trabalhou com afinco para desenvolver substâncias que podiam matar sem deixar qualquer rastro. Gostaria de ver o governo venezuelano seguir todas as pistas de investigação uma vez realizada a autópsia.



Em Dezembro de 2011, já sob tratamento do cancro, Chávez perguntou em voz alta: "Seria tão estranho que eles tenham inventado a tecnologia para disseminar o cancro e nós não soubéssemos acerca disso durante 50 anos?" O presidente venezuelano estava a falar um dia depois de a presidente progressista da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, ter anunciado que lhe fora diagnosticado cancro na tiróide. Este aconteceu depois de três outros eminentes líderes progressistas latino-americanos terem sido diagnosticados com cancro: a presidente do Brasil, Dilma Roussef, Fernando Lugo do Paraguai e o antigo líder brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.



"Evo tome cuidado consigo. Correa, seja cuidadoso. Nós simplesmente não sabemos", disse Chávez referindo-se ao presidente da Bolívia, Evo Morales, e a Rafael Corre, o presidente do Equador, ambos líderes progressistas.



Chávez disse que recebera palavras de advertência de Fidel Castro, ele próprio alvo de centenas de fracassadas e muitas vezes bizarras tramas de assassinato da CIA. "Fidel sempre me dizia: Chávez tome cuidado. Esta gente desenvolveu tecnologia. Vocês são muito descuidados. Tome cuidado com o que come, com o que lhe dão para comer... uma pequena agulha e injetam-no com não sei o que".



Quando o vice-presidente Nicolas Maduro sugeriu o possível envolvimento americano na morte de Chávez, o Departamento de Estado dos EUA considerou a alegação absurda.



Várias organizações progressistas dos EUA apresentaram sob a Freedom of Information Act (Lei de Liberdade de Informação) requerimento à CIA, a perguntar de "qualquer informação respeitante a planos para envenenar ou assassinar de qualquer outra forma o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que acabou de morrer".



Pessoalmente acredito que Hugo Chávez foi assassinado pelos Estados Unidos. Se esta doença e morte NÃO fossem induzidas, a CIA – que tentou assassinar mais de 50 líderes estrangeiros, muitos com êxito – não estava a fazer a sua tarefa.



Quando Fidel Castro ficou doente vários anos atrás, os media de referência americanos implacavelmente conjecturavam sobre se o sistema socialista cubano poderia sobreviver à sua morte. A mesma especulação existe agora em relação à Venezuela. A mente ianque não pode acreditar que grandes massas de povo possam virar as costas ao capitalismo quando lhes é mostrada uma boa alternativa. Isso só poderia ser o resultado da manipulação do público por um ditador, repousando tudo sobre um homem cuja morte marcaria o fim do processo.

11/Março/2013

quinta-feira, 7 de março de 2013

Muchas gracias y hasta siempre


por Henrique Júdice
Escrevo entre o impulso ditado pela emoção e a dificuldade derivada da mesma fonte para alinhar as ideias. Não pretendo redigir uma resenha biográfica nem um balanço político dos 14 anos de poder de Hugo Rafael Chávez Frías, mas tão-só um registro de gratidão e reconhecimento.




Tendo me formado politicamente em meio ao refluxo da esquerda latino-americana nos anos 1990, acompanhei com simpatia e com uma cautelosa esperança sua primeira candidatura presidencial, em 1998. Aquele decênio havia sido pródigo em frustrações para o continente, inclusive sob a forma de líderes que chegavam ao poder prometendo enfrentar o Consenso de Washington e no dia seguinte curvavam-se a ele. Chávez, como logo ficou claro, era vinho de outra pipa.



Sabemos que os tempos históricos nem sempre guardam com os cronológicos coincidência precisa. No caso de Chávez, porém, o hiato foi pequeno: sua chegada ao poder, em 1999, foi, para a América Latina, o início do fim da década de 90 do século XX. O fim definitivo dar-se-ia em 2005, em Mar del Plata, na Argentina, quando, ao lado de Néstor Kirchner, liderou o bloco sul-americano que enterrou a proposta da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).



Entre uma coisa e outra, houve o golpe de Estado de 2002 e sua reversão, inédita na história do continente. Naquela época, eu passava por uma situação pessoal muito difícil e a notícia, quase inacreditável, da vitória popular e do resgate do presidente da prisão na ilha de La Orchilla me devolveram o gosto pela vida. Chávez, um militar que chegou e se manteve no poder pela via institucional, provou ali sua coragem física, sua fibra em momentos decisivos e sua capacidade para enfrentar a oligarquia e o imperialismo também no terreno para o qual formara-se originalmente. Era quase como se Allende revivesse e derrotasse as forças que atacavam La Moneda em 1973.



Sob a condução do Comandante Chávez, a Venezuela foi, nesses 14 anos, o ponto de Arquimedes da resistência ao imperialismo e da integração latino-americana. Mais que colocar a renda do petróleo e a geopolítica a serviço desses objetivos, ele desatou uma revalorização cultural, subjetiva, da identidade continental. E em que pese alguns recuos na questão colombiana impostos pela famigerada razão de Estado, apoiou todas as lutas populares em curso no continente. Os brasileiros recordaremos sempre seu gesto de estender aos trabalhadores que haviam tomado o controle da Flaskô e da Cipla a mão que o governo daqui, do qual era aliado, lhes negava.



Neruda escreveu um poema chamado Un canto para Bolívar que eu vim a conhecer por causa de Chávez, que gostava de citá-lo. "És ou não és quem és?" ?– pergunta o poeta chileno ao Libertador ao encontrá-lo na Madri dos anos 30. "Desperto a cada cem anos, quando desperta o povo", responde o venerável espectro. A Venezuela, a América Latina e o mundo perderam hoje um personagem histórico da mesma dimensão de Bolívar, San Martín, Artigas, Martí, Allende, Che Guevara e Fidel Castro. E isto, ao contrário do que pode parecer, não é um preito, mas uma análise histórica objetiva que, em algumas décadas, será confirmada.



Muchas gracias, Comandante Chávez! Y hasta siempre!

terça-feira, 5 de março de 2013

VAGABUNDO É VOCÊ

Não gosto de descer o nível para me defender. Mas, como a ofensa foi feita na tribuna da CMAR eu vou descer na lama que chafurda a escória política ignara de Angra dos Reis, para dizer o seguinte:


VAGABUNDO é quem se alista em igreja evangélica para explorar a boa-fé das pessoas humildes e incautas.

VAGABUNDO é quem teve todas as oportunidades de estudar e não estudou.

VAGABUNDO é quem teve pai rico, sebe Deus como ficou rico, tendo todas as oportunidades da vida para ter uma profissão e não tem.

VAGABUNDO é quem teve oportunidades de cursar todas as universidades do país e nem se quer cursou uma boa escola secundária.

VAGABUNDO é quem se aproveita de um sistema político carcomido para empregar dezenas de pastores oportunistas para enganar os explorados nas eleições.

VAGABUNDO é quem não tem um mínimo de ideologia política ou ética para atuar na política.

VAGABUNDO é você por todas as nulidades e oligofrenias que comete!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

EUA PREPARA UMA INVASÃO NA ÁFRICA PARA TOMAR SUAS RIQUEZAS MINERAIS

por John Pilger


Uma invasão da África de grandes proporções está em andamento. Os Estados Unidos estão a instalar tropas em 35 países africanos, a começar pela Líbia, Sudão, Argélia e Níger. Isto foi informado pela Associated Press no Dia de Natal, mas ficou omisso na maior parte dos media anglo-americanos.



A invasão pouco tem a ver com "islamismo" e, quase tudo a ver com a aquisição de recursos, nomeadamente minérios, e com um acelerar da rivalidade com a China. Ao contrário da China, os EUA e seus aliados estão preparados para utilizar um grau de violência já demonstrado no Iraque, Afeganistão, Paquistão, Iémen e Palestina. Tal como na guerra-fria, uma divisão de trabalho exige que o jornalismo ocidental e a cultura popular providenciem a cobertura de uma guerra sagrada contra um "arco ameaçador" de extremismo islâmico, não diferente da falsa "ameaça vermelha" de uma conspiração comunista mundial.



A recordar a Luta pela África no fim do século XIX, o US African Command ( Africom ) construiu uma rede de pedintes entre regimes colaboracionistas africanos ansiosos por subornos e armamentos americanos. No ano passado, o Africom ensaiou a Operação Esforço Africano (Operation African Endeavor), com as forças armadas de 34 países africanos a nela tomarem parte, comandadas por militares estado-unidenses. A doutrina "soldado para soldado" do Africom insere oficiais dos EUA a todo nível de comando, desde o general até o primeiro-sargento.



É como se a orgulhosa história de libertação da África, desde Patrice Lumumba até Nelson Mandela, estivesse destinada ao esquecimento por uma nova elite colonial negra ao serviço do mestre cuja "missão histórica", advertiu Frantz Fanon há meio século, é a promoção de "um capitalismo desenfreado embora camuflado".



Um exemplo gritante é o Congo Oriental, um tesouro de minerais estratégicos, controlado por um grupo rebelde atroz conhecido como M23, o qual por sua vez é dirigido pelo Uganda e o Ruanda, os procuradores de Washington.



Planeada há muito como uma "missão" para a NATO, para não mencionar os franceses sempre zelosos, cujas causas coloniais perdidas continuam em prontidão permanente, a guerra à África tornou-se urgente em 2011 quando o mundo árabe parecia estar a libertar-se dos Mubaraks e outros clientes de Washington e da Europa. A histeria que isto provocou em capitais imperiais não pode ser exagerado. Bombardeiros da NATO foram despachados não para Tunis ou Cairo mas sim para Líbia, onde Muammar Kadafi dominava as maiores reservas petrolíferas da África. Com a cidade líbia de Sirte reduzida a escombros, as SAS britânicas dirigiram as milícias "rebeldes" para o que se revelou como um banho de sangue racista.



O povo nativo do Saara, os tuaregues, cujos combatentes berberes Kadafi havia protegido, fugiu através da Argélia para o Mali, onde os tuaregues desde a década de 1960 reivindicam um estado separado. Como destaca o sempre vigilante Patrick Cockburn, é esta disputa local, não a Al-Qaida, que o Ocidente mais teme no Noroeste da África... "por pobres que possam ser, muitas vezes os tuaregues vivem em cima de grandes reservas de petróleo, gás, urânio e outros minérios valiosos".



Quase certamente a consequência do ataque francês/estado-unidense ao Mali em 13 de Janeiro, o cerco a um complexo de gás na Argélia que acabou de forma sangrenta, inspirou em David Cameron um momento 11/Set. O antigo relações públicas da Carlton TV enfureceu-se acerca de uma "ameaça global" que exigiria "décadas" de violência ocidental. Ele queria dizer a implementação dos planos de negócios do Ocidente para a África, juntamente com a violação da Síria multi étnica e a conquista do Irão independente.



Cameron agora ordenou o envio de tropas britânicas para o Mali e enviou para lá um drone da RAF, enquanto o seu prolixo chefe militar, general sir David Richards, dirigiu "uma mensagem muito clara a jihadistas de todo o mundo: não nos provoquem e não nos embaracem. Trataremos disto de forma robusta" – exatamente o que jihadistas querem ouvir. O rastro de sangue de vítimas do terror do exército britânico, todos muçulmanos, seus "sistêmicos" casos de torturas atualmente a caminho do tribunal, acrescenta ironia às palavras do general. Certa vez experimentei os meios "robustos" de sir David quando lhe perguntei se lera a descrição da corajosa feminista afegã Malalai Joya do comportamento bárbaro de ocidentais e seus clientes no seu país. "O senhor é um apologista do Taliban" foi a sua resposta (posteriormente desculpou-se).



Estes comediantes lúgubres são extraídos diretamente [do escritor] Evelyn Waugh e permitem-nos sentir a estimulante aragem da história e da hipocrisia. O "terrorismo islâmico", que é a sua desculpa para o roubo continuado das riquezas da África, foi praticamente inventado por eles. Já não há qualquer desculpa para engolir a linha da BBC/CNN e não conhecer a verdade. Leiam Secret Affairs: Britain's Collusion with Radical Islam de Mark Curtis (Serpent's Tail) ou Unholy Wars: Afghanistan, America and International Terrorism, de John Cooley (Pluto Press) ou The Grand Chessboard de Zbigniew Brzezinski (HarperCollins) que foi o parteiro do nascimento do moderno terror fundamentalista. Com efeito, os mujahedin da Al-Qaida e os Talibans foram criados pela CIA, o seu equivalente paquistanês, o Inter-Services Intelligence, e o MI6 britânico.



Brzezinski, conselheiro de segurança nacional do presidente Jimmy Carter, descreve uma diretiva presidencial secreta em 1979 que principiou aquilo que se tornou a atual "guerra ao terror". Durante 17 anos, os EUA deliberadamente cultivaram, financiaram, armaram e fizeram lavagem cerebral a extremistas da jihad que "saturaram de violência uma geração". Com o nome de código Operation Cyclone, este foi o "grande jogo" para deitar abaixo a União Soviética mas que deitou abaixo as Torres Gêmeas.



Desde então, as notícias que pessoas inteligentes e educadas tanto distribuem como ingerem tornou-se uma espécie de jornalismo Disney, fortalecido, como sempre, pela licença de Hollywood para mentir e mentir. Está para ser lançado o filme Dreamworks sobre a WikiLeaks, uma trama inspirada por um livro de tagarelices pérfidas de dois jornalistas do Guardian que se enriqueceram, e há também o Hora negra (Zero Dark Thirty), filme que estimula a tortura e o assassínio, dirigido pela ganhadora do Oscar Kathryn Bigelow, a Leni Riefenstahl do nosso tempo, que promove a voz do seu mestre tal como fez a realizadora de estimação do Fuhrer. Este é o espelho de sentido único através do qual nós mal vislumbramos aquilo que o poder faz em nosso nome.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

DE MAQUIAVEL AO DEMAGOGO FERNANDO JORDÃO

“Os homens têm menos escrúpulos em ofender quem se faz amar do que quem se faz temer, pois o amor é mantido por vínculos de gratidão que se rompem quando deixam de ser necessários, já que os homens são egoístas; mas o temor é mantido pelo medo do castigo, que nunca falha.”
(Nicolas Maquiavel)

Este ensinamento de Maquiavel vem sendo aplicado com eficácia por muitos séculos pelas classes dirigentes.
O interessante é que até mesmo um apedeuta como Fernando Jordão, que nuca leu um livro em sua vida, utiliza tal ensinamento de forma eficaz. Talvez a explicação disso se deva a tradição de seus antepassados que aprenderam em um passado longínquo e vem passando por meios de costumes de geração em geração.
Porém, existe uma nata da humanidade que subverte esta ordem perversa ditada por Maquiavel: são os humanistas, em especial os socialistas, como meus valorosos companheiros de luta, estes põem o amor ao próximo acima dos interesses fisiologistas e lutam como guerreiros, que mesmo sabendo que o sacrifício é inevitável, sabem que este sacrifício é a semente de um novo amanhã.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

METODOLOGIA FASCISTA

O próximo dia 07 de outubro, já se mostrou evidente para os angrenses que não se iludem pelas manipulações da mídia, que neste momento do processo que apontará nossos governantes, arma-se um grande embuste sobre a população menos esclarecida do município, capitaneada pelo ex-prefeito Fernando Jordão, “o rouba mas faz”, e seus profissionais da demagogia.
As pesquisas e os meios de comunicação comprados pelo dinheiro público roubado trabalham os números de maneira a massacrar a candidatura de CONCEIÇÃO RABHA e inflar a candidatura decadente do ROUBA MAS FAZ, à medida exata dos interesses de quem vive da sangria do dinheiro público.
Ao mesmo tempo, CONCEIÇÃO RABHA conta com seu cacife moral para enfrentar as dura batalhas que virão.
Por outro lado, a Justiça Eleitoral tem prometido não ficar omissa nas próximas eleições, como acontecerão na eleição passada que a decisão de cassação do atual prefeito e seu vice só aconteceu recentemente; dando respaldo à um governo ilegítimo.
Nossa esperança, porém, reside no bom senso dos desembargadores do TER-RJ.
Não tenho razões para crer que as coisas possam mudar muito em ralação aos pleitos passados. Contudo, as decisões recentes do TER-RJ nos dá ânimo para acreditarmos que as regras previstas em lei sejam aplicadas.
A eleição de CONCEIÇÃO RABHA, Fernando Jordão e seu partidários do “rouba mas faz”sabem disso, vai significar a presença no governo de uma pessoa que não acobertará os desmando e os crimes que este governo e o de Fernando Jordão cometeram contra o erário e a população em geral, que estará contra não apenas este modelo de governo perverso que nos impuseram como também fará as denúncias dos desatinos com o dinheiro público.
Tenho dito aos meus amigos intimamente, e agora o digo em público, que temo pela vida de CONCEIÇÃO RABHA, tão incomensuráveis são os interesses destas próximas eleições.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

SÓ PARA DESCONTRAIR


Entediado pela mesmice política, resolvi falar um pouquinho que seja das coisas boas da vida.
Desprezando as apelações dos meios de comunicação de massa, que apelam para o sexo vulgar e sem arte, selecionei frase geniais de famosos e anônimos a seguir, para o leitor se deliciar:

“A felicidade de um homem casado depende das mulheres com ela não se casou”.
“A única maneira de se livrar de uma tentação sexual é sucumbindo a ela”.
(Oscar Wilder, autor de O RETRATO DE DORIAN GREY)

“O casamento vem do amor, assim como o vinagre vem do vinho”.
(Lord Byron, escritor inglês)

“A maior delícia do brasileiro e conversar safadeza”.
(Gilberto Freire, autor de CASA GRANDE E SENZALA)


“ Maridos são ótimos amantes, principalmente quando estão traindo suas mulheres”.
(Marilyn Monroe, atriz e símbolo sexual dos anos 50)

“Não há marido pior do que o melhor dos homens”.
(William Shakespeare)


“Ladrões exigem a bolsa ou a vida. As mulheres exigem ambos”.
(Samuel Butler, escritor)

“ De todas as aberrações sexuais, a mais singular talvez seja a castidade”.
(Remy de Gourmont, escritor)

“Sexo só existem dois. Cuidado com as imitações”.
“Os ricos transam. Os pobres procriam”.
(Millôr Fernandes)

“O problema de todo corno é pensar que o outro agora sabe com o que ele se contentava”.
(Sergio Vaz, psicanalista)


“Assedio sexual só é crime quando o homem é feio ou pobre”.
“Mulher feia vale por duas, porque o marido sempre tem outra”.
(Lameiro de caminhão)

“Mulher burra só serve para transar”.
“Fidelidade é mais insossa do que rodízio de chuchu regado à água”.
(Eu)

“Adultério é a aplicação da democracia ao amor”.
(Henry L. Mencken, Escritor)

“Muitas mulheres suspeitam que seus maridos são os melhores amantes do mundo. Mas, nunca conseguem flagrá-los”.
(Herry Youngmam)

“Eu tenho pena de mulheres que passaram a vida inteira sem conhecer o prazer do sexo. É como se não tivessem vivido”.
(Zélia Gattai, escritora)

“O que eu quero?
Quero viver com tesão!
Pouquinha que seja
Tesão de beijar, de trepar, de viver.
Isso, só isso, eu quero: viver”.
(Darcy Ribeiro, escritor, senador, antropólogo, poeta, pedagogo, amante das mulheres e do povo brasileiro)

terça-feira, 17 de julho de 2012

O MEU MENINO JESUS


Num meio-dia de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!


Um dia que Deus estava a dormir
E o Espirito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez com que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E porque toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.


A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando agente as tem na mão
E olha devagar para elas.


Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espirito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."

E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É a minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.


A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?


Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

terça-feira, 3 de julho de 2012

VENEZUELA CONFIRMARÁ CHAVEZ NO PODER

Chávez disparado nas pesquisas

Em quatro ou cinco institutos de pesquisa de opinião, dos mais conceituados por aqui, Chávez ganha de Capriles com diferenças que variam de 17 a 35 pontos percentuais. Os chavistas argumentam contra a oposição: “Como há guerra de pesquisas, se nós estamos ganhando em todas?” Os caprilistas dizem que esses institutos são todos “chimbas” (falsos, fraudes). E apareceram ultimamente com um, chamado Consultores 21, cuja pesquisa apontou empate técnico entre os dois candidatos. Os chavistas dispararam na bucha: este sim é “chimba”. O CNE emitiu uma regulamentação tentando garantir um nível razoável de profissionalismo e credibilidade dos institutos.

A avaliação que parece mais sensata é que, eleitoralmente, a vitória do presidente está assegurada, a não ser que ocorra algo inesperado, de muito impacto. Daí os chavistas estarem o tempo todo advertindo contra alguma ação extremada/desesperada da direita.

3º. mandato – 5ª campanha pela presidência

Chávez está buscando sua segunda reeleição, o terceiro mandato. Mas, na verdade, é a sua quinta campanha presidencial:

1 – foi eleito em 1998;
2 – em 2000 foi confirmado com base na nova Constituição (aprovada pelo voto popular em dezembro/1999);
3 – em 2004 foi confirmado outra vez, porque a oposição conseguiu a realização de plebiscito revogatório, dispositivo contido na nova Constituição;
4 – reeleito em 2006 (mandato de seis anos, conforme a nova Constituição);
5 – agora tenta a 2ª. reeleição.

É um campeão de respaldo nas urnas, apesar de caluniado pela mídia como tirano. Segundo as contagens correntes por aqui, esta é a 17ª. eleição que enfrenta desde 1998, incluindo outras eleições, consultas, referendos, etc. Só perdeu uma (por diferença de menos de 1 ponto percentual), em 2007, quando tentou inserir na Constituição a opção pelo sistema socialista. E reconheceu, sem pestanejar, a derrota.

As eleições aqui são descasadas: em 2010 houve renovação da Assembleia Nacional (Congresso); em dezembro deste ano serão eleitos os governadores dos 23 estados; em março/2013 será a vez dos prefeitos.

TV Globovisión paga multa milionária

A Globovisión, o veículo mais eminente do chamado terrorismo midiático (os chavistas a chamam de Globoterror), pagou na semana passada uma multa de 9,4 milhões de bolívares (pouco mais de 2 milhões de dólares, pela cotação oficial). Há um ano ela tinha sido condenada pela Justiça numa ação de iniciativa da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), que a acusou de manipular informação e incitar a violência ao cobrir conflitos ocorridos numa prisão.

A direção da emissora recorreu e o processo vinha rolando. Mas na semana passada o Tribunal Supremo de Justiça, máxima instância judicial do país, ordenou o embargo de bens da empresa no valor de 24,4 milhões de bolívares se a multa não fosse paga de imediato. Os dirigentes da TV decidiram pagar.

Claro que a versão da emissora e dos diversos meios privados de comunicação foi se tratar de mais um ato de perseguição contra a liberdade de expressão do “tirânico” governo de Chávez. Esta versão é a que deve ter sido difundida pelo mundo afora.