quarta-feira, 16 de junho de 2010

CHAVEZ ENFRENTA A CONTRA-REVOLUÇÃO.


(por Eva Golinger)
"Façam gritar a economia", escreveu Henry Kissinger numa nota às forças da CIA envolvidas na tentativa de derrubar o presidente Salvador Allende do Chile no início dos anos 70. Posteriormente, a sabotagem econômica abateu-se sobre aquele país sul-americano, quando os trabalhadores entraram em greves e os homens de negócios aumentaram os preços, fecharam as portas temporariamente e provocaram uma enorme inflação, criando um clima geral de instabilidade que levou ao golpe de estado de 1973 que derrubou Allende.

A mesma estratégia foi aplicada na Venezuela em 2002. Um golpe de estado que teve um êxito efêmero e depois fracassou, foi seguido por uma sabotagem econômica que paralisou a indústria petrolífera e esgotou os produtos de consumo básico da nação, provocando um prejuízo de mais de 20 mil milhões de dólares americanos à economia, mas que não conseguiu afastar Chavez do poder. Os grupos de homens de negócios, de trabalhadores, dos meios de comunicação e políticos que apoiaram o golpe e a sabotagem receberam financiamento direto e apoio de Washington e dos seus organismos, incluindo a USAID, a National Endowment for Democracy, o International Republican Institute e o National Democratic Institute for International Affairs.

Em 2007, tentaram de novo, provocando a escassez dos principais produtos a nível nacional, o que fez disparar a inflação, ao mesmo tempo que aproveitaram os protestos nas ruas e atraíram a atenção dos meios de comunicação internacionais para retratar o governo de Chavez como ditatorial, repressivo e em crise.

O antigo secretário de Estado dos EUA, Lawrence Eagleburger, explicou a estratégia e o papel dos EUA nessa época à Fox News, "a capacidade [de Chavez] para atrair o povo venezuelano só funciona enquanto o povo da Venezuela reconhecer alguma possibilidade de um nível de vida melhor. Se, a certa altura, a economia ficar mesmo má, a popularidade de Chavez no país certamente diminuirá e, para já, essa é a única arma que temos contra ele e que devemos usar, ou seja, os instrumentos econômicos para tentar fazer com que a economia piore ainda mais, de modo que o seu poder de atração no país e na região se afunde".

Eagleburger, que também foi consultor do presidente George W. Bush nessa altura, continuou afirmando que "Tudo o que pudermos fazer para lhes dificultar a economia neste momento é uma boa coisa, mas façamo-lo de uma maneira que não nos ponha em conflito direto com a Venezuela, se o pudermos fazer".

SABOTAGEM

Pouco depois destas afirmações de Eagleburger, a economia da Venezuela recuperou muito. Mas foi a rápida nacionalização do governo de Chavez de diversas indústrias e empresas, juntamente com uma firme ação legal contra os negociantes que açambarcaram produtos e aumentaram preços ilegalmente que salvaram o país da recessão. O ano de 2007 na Venezuela foi extremamente difícil, até o papel higiênico era difícil de encontrar, assim como alimentos básicos como o açúcar, o leite, a farinha e o café. Mas não era que não houvesse esses produtos no país. Descobriram-se toneladas de produtos, escondidos dos consumidores em armazéns pertencentes a empresas nacionais e transnacionais do país. Outros produtos foram transportados ilegalmente para fora das fronteiras, para a Colômbia ou Panamá, para revenda a preços mais altos.

Durante os últimos anos, a sabotagem continuou em vagas sucessivas. Por vezes desaparece o açúcar das prateleiras dos supermercados, provocando o pânico, outras vezes é o leite, ou a farinha de milho, os guardanapos ou o feijão. Depois, encontram-se quantidades enormes desses produtos em contentores ou armazéns pertencentes a uma empresa privada ou sob o controlo de qualquer funcionário governamental corrupto.

Ainda há pouco tempo, o Sebin, organismo de informações da Venezuela descobriu 32 toneladas de produtos alimentares em decomposição, incluindo óleo, café, açúcar, manteiga, arroz, massas, carne e leite, dentro de 1 300 contentores estacionados em Puerto Cabello, na costa Norte-Centro. Os produtos destinavam-se à venda nos mercados subsidiados pelo governo, Mercal e Pdval, mas funcionários corruptos tinham-nos deixado ali propositadamente para apodrecerem a fim de provocar a sua escassez. Já foram detidos diversos funcionários governamentais que estão sob investigação quanto ao seu papel neste e noutros atos de corrupção e sabotagem na indústria alimentar.

"Guerra à corrupção", declarou o presidente Chavez na quarta-feira, acrescentando que "São vícios do passado, temos vindo a descobrir muitos funcionários públicos envolvidos em corrupção e vamos investigar e apresentá-los à justiça. Aqui ninguém está protegido da corrupção, quem lhe sucumbir, sucumbe". Chavez revelou que já tinham sido julgados e presos por corrupção na indústria alimentar nos últimos anos mais de 30 funcionários públicos.

GUERRA ECONÓMICA

Num evento na quarta-feira numa nova instalação de processamento socialista, a Diana Oil, o presidente Chavez respondeu aos críticos do sector privado, minimizando as suas acusações. "Dizem que Chavez está a destruir o país, que os trabalhadores não têm capacidade para gerir empresas e que a produção gerida por trabalhadores é uma ideia maluca. Dizem que o governo destrói todas as companhias que gere".

Chavez também apelou a uma resposta ao que considera como uma "guerra econômica aberta" contra o povo e a Revolução. "Apelo à verdadeira classe trabalhadora da Venezuela que lute nesta guerra econômica contra a burguesia", exclamou, acrescentando, "Eu nasci para esta batalha. Eles declararam a guerra econômica contra mim e eu apelo a todos os trabalhadores que se juntem a mim na luta para apoiar a nossa economia".

O presidente venezuelano dirigiu palavras especiais a Lorenzo Mendoza, o dono de uma das maiores produtoras e distribuidoras de alimentos e bebidas do país. Um dos homens mais ricos da Venezuela, e um multimilionário Forbes, Mendoza dirige as Empresas Polar, que produzem e distribuem produtos como a cerveja Polar, a Pepsi-Cola e todo o tipo de sumos, vinagres, molhos, gelados, cereais, enlatados e comidas congeladas.

Chavez respondeu diretamente às afirmações de Mendoza de que o presidente venezuelano está a destruir o país, afirmando, "Aceito o seu desafio. Vamos a isso. Você com os seus milhões e eu com a minha moral. Vejamos quem dura mais tempo, você com a sua Polar e as suas riquezas, ou eu com o meu povo e a dignidade de um soldado revolucionário". Chavez também avisou Mendoza que, se a companhia dele continuar a açambarcar produtos, a especular e a violar as regulamentações de preços, as Empresas Polar poderão ser nacionalizadas.

"Não tenho medo de nacionalizar a Polar, Mendoza, por isso tenha cuidado. A lei é a lei", declarou o chefe de estado venezuelano.

A Polar tem sido uma das principais companhias a fomentar a escassez de produtos no país durante os últimos anos, açambarcando bens de consumo nas centenas de armazéns que possui por todo o território nacional até se gerar suficiente pânico e descontentamento no país. Depois os produtos são lançados no mercado a preços mais altos, violando os regulamentos financeiros, provocando a inflação e tentando debilitar a economia.

Mas esta semana o presidente Chavez apelou a todos os sectores, privados e público, para que resistam e combatam esta guerra econômica. "Estamos a trabalhar para o bem-estar de toda a gente, mesmo das classes mais altas e dos negócios privados. Ninguém estará estável enquanto o resto do país não estiver, por isso trabalhemos todos para isso".

Apesar da turbulência econômica que afeta a Venezuela, a taxa de desemprego diminuiu nos últimos anos e a pobreza foi reduzida de 70% para 23% desde 1999.

sábado, 12 de junho de 2010

PARA TODOS OS DIAS, NÃO APENAS PARA O DIA COMERCIAL


Lágrimas lavaram minha alma muitas vezes,
através delas me reciclei...
me resolvi...
me encontrei quando me perdi...
Lavei o chão do meu sofrer,
e enxuguei a dor das minhas caminhadas em vão...

Os olhos continuam sendo a janela da alma,
por eles,
exalamos nossos sentimentos mais profundos...
no olhar,eu me mostro...
Você se mostra,
por isso quando falo olho nos olhos...
assim me dispo,
assim sou verdadeiro...

A hora é esta...
Minha asa brotou,
me torna alado para outro momento...
"De tudo ao meu amor serei atento",
a este novo amor,
que me faz feliz e pleno...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

DARCY ETERNAMENTE


Relembrando meu mestre maior e dando destaque para o ultimo pensamento abaixo, que tomo como uma das inspirações de minha vida.



“...Através delas daremos livros, livros a-mãos-cheias, a todo o povo. O livro, bem sabemos, é o tijolo com que se constrói o espírito. Fazê-lo acessível é multiplicar tanto os herdeiros quanto os enriquecedores do patrimônio literário, científico e humanístico, que é, talvez, o bem maior da cultura humana.”


“Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos viveu por séculos sem consciência de si... Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros...”


“Por isso mesmo, o Brasil sempre foi, ainda é, um moinho de gastar gentes.
Construímo-nos queimando milhões de índios.Depois, queimamos milhões de negros.
Atualmente, estamos queimando, desgastando milhões de mestiços brasileiros, na
produção não do que eles consomem, mas do que dá lucro às classes empresariais.”



“Dizem, também, que nosso território é pobre - uma balela. Repetem, incansáveis,
que nossa sociedade tradicional era muito atrasada - outra balela. Produzimos,
no período colonial, muito mais riqueza de exportação que a América do Norte
e edificamos cidades majestosas corno o Rio, a Bahia, Recife, Olinda, Ouro
Preto, que eles jamais conheceram.”


“Nosso povo preservará, depois dessa drástica cirurgia, a vitalidade
indispensável para sair do atraso ou estará condenado a afundar cada vez mais no
subdesenvolvimento? Quem está interessado em que o Brasil seja capado e
esterilizado? Serão brasileiros?”



“Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me
resignar nunca.”



“O Delta do Amazonas constitui uma das áreas de mais antiga ocupação européia no
Brasil. Já nos primeiros anos do século XVII ali se instalaram soldados e
colonos portugueses, inicialmente para expulsar franceses, ingleses e holandeses
que disputavam seu domínio, depois como núcleos de ocupação permanente. Estes
núcleos encontrariam uma base econômica na exploração de produtos florestais
como o cacau, o cravo, a canela, a salsaparrilha, a baunilha, a copaíba que
tinham mercado certo na Europa e podiam ser colhidos, elaborados e transportados
com o concurso da mão-de-obra indígena, farta e acessível naqueles primeiros
tempos.”



“Embora a civilização nas zonas de fronteira seja algo tosca e desconjuntada, é
sempre a civilização ocidental que avança através da sua encarnação na sociedade
brasileira. O que oferece aos índios não são, naturalmente, as conquistas técnicas
e humanísticas de que se orgulha, mas a versão degradada destas, de que
são herdeiros os proletariados externos dos seus centros de poder.”



“Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças
brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer
uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se
autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria
estar no lugar de quem me venceu.”

(DARCY RIBEIRO)

terça-feira, 1 de junho de 2010

A NOVA INFÂMIA DO ESTADO NAZI-SIONISTA


O assassinato de 19 inocentes que iam levar socorro à população sitiada de Gaza é mais um crime do estado nazi-sionista.
O regime do apartheid imposto pelo estado judeu ao martirizado povo palestino é um crime continuado no tempo.
A impunidade com que o estado judeu comete as suas infâmias só acontece devido ao beneplácito dos governos ocidentais.
Os crimes destes judeus hitlerianos verificam-se porque contam com o apoio do imperialismo americano e do sub-imperialismo europeu.
É um dever dos cidadãos dignos do mundo todo levantar um brado de protesto contra tais atentados de lesa humanidade.
Hitler, deve estar dando inúmeras gargalhadas no Inferno!

AS TRÊS PENEIRAS DE SÓCRATES


Quantas amizades, quantos amores deixamos de vivenciar pelas intrigas que ouvimos de outras pessoas?
Esta pergunta que faço não é para os outros e, sim, para nós mesmo. Tendemos a acreditar em fofocas.
Sofreríamos menos se, como o filósofo Sócrates, tomássemos o cuidado de analisar as mentiras que nos são contadas.
Leiam o que o sábio ateniense nos ensinou sobre a matéria:

As Três Peneiras de Sócrates
Um homem foi ao encontro de Sócrates levando ao filósofo uma informação que julgava de seu interesse:

- Quero contar-te uma coisa a respeito de um amigo teu!

- Espera um momento – disse Sócrates – Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras.

- Três peneiras? Que queres dizer?

- Vamos peneirar aquilo que quer me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção. A primeira é a peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres dizer-me é verdade?

- Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.

- A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não?

Envergonhado, o homem respondeu:

- Devo confessar que não.

- A terceira peneira é a da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?

- Útil? Na verdade, não.

- Então, disse-lhe o sábio, se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, então é melhor que o guardes apenas para ti.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

SER OU TER?


Tenho andado decepcionado diante da resignação das pessoas.
Diferentemente dos versos de Noel Rosa: a filosofia não me ajuda a ficar indiferente, ela aguça meu senso crítico atuando como um poderoso estimulante da minha consciência.
Apesar de conhecer o processo evolutivo do Capitalismo, tão bem explicado por Marx na sua obra O CAPITAL, não me conformo com o fetichismo do consumo. O Capitalismo envenenou a alma da humanidade de forma que as pessoas abandonaram o seu ser interior e toda sua capacidade criativa, para se transformar em meros consumidores, enaltecendo, como nunca antes na história da humanidade, o ter.
Leiam o magnífico texto de FÁTIMA AMORIM sobre o assunto.

GAIOLA DOURADA

“É horrível essa sensação de não estar vivendo,
De ser apenas um meio de produção
Utilizado pelo capitalista,
De forma que melhor lhe convém.

Não quero viver assim, preciso sonhar!
Mas para isso preciso aprender a ser livre
E não consigo andar sem muletas,
Não me ensinaram...

Estou só.
Sem a Religião que me prometeu me dar esperança;
Sem a Escola que prometeu me educar para a autonomia;
Sem o Estado que prometeu garantir meus direitos como cidadão;

E não cumpriram.

Tomaram a frente da história da humanidade
E transformaram a cultura em propriedade privada...
Escravizaram o ser humano
Na gaiola dourada do consumo,
Que realiza os sonhos que pensaram para você,
Que vendem para você.

Lhe dão posse, propriedade
Que criam raízes.
E tiram a sua liberdade.”

quarta-feira, 19 de maio de 2010

SINAL VERMELHO PARA CLEPTOCRACIA


A cleptocracia angrense está apavorada depois do inicio do julgamento do processo da “Escolhinha do Pedro Miguel” no TRE/RJ, em que o desembargador vogal Leonardo Pietro Antonelli pediu vista e prazo para decidir seu voto; após um empate entre os Desembargadores Relator e o Revisor.
O que ocorre é que o jurista Antonelli foi nomeado pelo Presidente Lula da Silva. Segundo advogados da área o jurista é uma pessoa de moral ilibada e com saber jurídico agigantado.
Vamos acompanhar de perto o desenrolar do processo na próxima segunda-feira.

terça-feira, 18 de maio de 2010

CASSAÇÃO DO BONECO DE VENTRÍLOQUO É POSSIVEL


O julgamento do processo da “Escolhinha do Pedro Miguel” foi suspenso por pedido de vista de um dos desembargadores que julgam o caso. Durante o julgamento o Desembargador Relator em parecer fraco e com pouco fundamento votou pela manutenção da sentença de primeira instância proferida pelo juiz Carlos Manoel; já o Desembargador Revisor em uma decisão de 60 laudas, demonstrado vasto conhecimento jurídico, votou pela cassação do prefeito BONECO DE VENTRÍLOQUO e de seu vice.
A continuação da sessão que definirá o futuro de Angra será na próxima segunda-feira, dia 24 de maio.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

NUNCA ESQUECER, NUNCA PERDOAR


Neste primeiro parágrafo da última carta escrita para seus pais quando se dirigia para a morte nas selvas bolivianas, CHE GUEVARA se compara ao próprio Don Quixote. Percebam que nas entre linhas ele tinha consciência de que seu êxito seria quase impossível, mas que sua luta revolucionária e seu sacrifício seriam os maiores legados que deixaria para os explorados.



“Uma vez mais sinto sob os calcanhares as costelas de Rocinante. Retorno para a estrada com o escudo no braço. Nada de especial mudou, exceto que estou mais cônscio, meu marxismo está mais arraigado e mais cristalizado. Creio na luta armada como única solução para os povos que lutam para se libertarem e sou coerente com minhas crenças. Muitos me chamarão de aventureiro, e o sou, mas de um tipo diferente, sou daqueles que colocam a vida em jogo para demonstrar as suas verdades.”

AOS MEUS INIMIGOS

As criaturas sombrias que rezam e comem hóstias aos domingos e odeiam quando estão fora dos templos; as pessoas amargas que não sabem o que é o bem querer, pois são teleguiadas pelo consumismo e a ganância: respondo com a poesia da maio poetiza da nossa terra.

"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.


Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
(Cecília Meireles)


É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.


É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.


O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.


O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.


O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence."
(Cecília Meireles)